EUA acusam Cuba de facilitar recrutamento de soldados para as tropas russas na Ucrânia

Relatório do Departamento de Estado indica que Havana tolera o fluxo de até cinco mil cidadãos para o front ucraniano em troca de benefícios financeiros e cidadania russa, contradizendo promessas do regime de coibir o tráfico de mercenários

O cenário geopolítico envolvendo a guerra na Ucrânia ganhou novas camadas de tensão após o Departamento de Estado dos Estados Unidos formalizar nesta semana a suspeita de que o governo de Cuba está colaborando ativamente com o esforço de guerra do Kremlin. As informações são do The Moscow Times.

De acordo com informações reveladas pelo portal Axios, que teve acesso a um relatório enviado ao Congresso americano, existem indicadores significativos de que a administração de Miguel Díaz-Canel em Havana não apenas tem conhecimento, como também facilita seletivamente o fluxo de cidadãos cubanos para as fileiras das forças armadas russas.

Esta acusação contradiz diretamente o discurso oficial da ilha caribenha, que anteriormente alegava estar desmantelando redes de tráfico humano destinadas a levar mercenários para o conflito no Leste Europeu.

Miguel Díaz-Canel e Vladimir Putin (Foto: WikiCommons)

A dimensão da participação cubana no conflito é expressiva e coloca o país em uma posição de destaque entre os fornecedores de combatentes estrangeiros para Moscou. Estimativas baseadas em dados de inteligência de fontes abertas indicam que o contingente de cubanos lutando em território ucraniano varia entre mil e cinco mil soldados em qualquer período dado.

Relatórios diplomáticos anteriores, citados pela Reuters, já sugeriam que Cuba se tornou o segundo maior fornecedor de combatentes para o exército de Vladimir Putin, sendo superada apenas pela Coreia do Norte. O porta-voz do Departamento de Estado americano foi enfático ao declarar que o regime cubano “falhou gravemente na proteção de sua população”, permitindo que seus cidadãos fossem utilizados como “peões estratégicos em um conflito de larga escala”.

O processo de alistamento desses indivíduos foi exposto originalmente por investigações jornalísticas do The Moscow Times, que rastrearam a atuação de grupos em redes sociais oferecendo pacotes de benefícios altamente atrativos. Para muitos cubanos, que enfrentam uma crise econômica severa na ilha, a promessa de contratos militares lucrativos e a concessão imediata de cidadania russa para o recruta e seus familiares tornaram-se incentivos quase irresistíveis. Porém, há denúncias de que cubanos recrutados para o exército russo enfrentam privações, castigos e risco de vida.

Essa estratégia de recrutamento faz parte de um decreto assinado por Putin em novembro de 2022, que abriu as portas das forças armadas russas para não cidadãos, visando sustentar o desgaste humano provocado pela guerra sem a necessidade de convocar novas ondas de mobilização interna na Rússia.

Entretanto, esse influxo de combatentes estrangeiros não se restringe a Cuba e tem provocado atritos diplomáticos consideráveis entre Moscou e seus parceiros globais. Países como Índia, Nepal, Sri Lanka e Quênia já manifestaram protestos formais e exigiram a interrupção do recrutamento de seus nacionais, alegando que muitos foram atraídos por ofertas de emprego fraudulentas ou falsas promessas de funções administrativas fora das zonas de combate.

Enquanto o governo russo admite oficialmente apenas a presença de tropas norte-coreanas, grupos independentes de monitoramento estimam que milhares de recrutas do Hemisfério Sul tenham perdido a vida no front, evidenciando o custo humano de uma rede de recrutamento que se expande cada vez mais por nações em desenvolvimento.

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