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Desastres ligados ao clima matam mais de cem pessoas diariamente há 50 anos

Documento da OMM registra mais de 11 mil desastres pelo mundo, com mais de 2 milhões de mortes e perdas financeiras de US$ 3,64 trilhões

Desastres hídricos ou relacionados ao tempo e ao clima ocorreram praticamente todos os dias nos últimos 50 anos, matando em média 115 pessoas diariamente. A informação consta em um atlas lançado pela OMM (Organização Meteorológica Mundial) na quarta-feira (1), englobando o período de 1970 a 2019. 

Com a mudança climática, o número de desastres aumentou nas últimas décadas, mas o total de mortes diminuiu, graças a melhorias nos sistemas de alerta e de gestão dos riscos de desastres. 

O Atlas da Mortalidade e das Perdas Econômicas por Extremos Climáticos, Hídricos e do Tempo registra mais de 11 mil desastres do tipo pelo mundo, que causaram mais de 2 milhões de mortes e geraram perdas financeiras de US$ 3,64 trilhões. 

Segundo a OMM, o documento é o mais abrangente já feito e indica que 91% das mortes por eventos climáticos ocorreram em países em desenvolvimento.

Registro das forças de segurança de Timor-Leste na enchente de 5 de abril de 2021 (Foto: Reprodução/Twitter/UN Timor-Leste)

Secas, tempestades e enchentes 

A seca ocorrida em 1981 em Moçambique foi o sétimo desastre natural mais fatal do mundo, com 100 mil mortes. Em primeiro lugar está uma outra seca ocorrida em 1983 na Etiópia, que causou a morte de 300 mil pessoas. 

Temperaturas extremas na Rússia, em 2010, também estão entre os eventos mais fatais, com mais de 55 mil pessoas mortas. No geral, as secas (650 mil mortes), as tempestades (577 mil óbitos), as enchentes (58,7 mil mortes) e as temperaturas extremas (55,7 mil mortes) estão entre os desastres mais fatais. 

Em relação às perdas econômicas, as tempestades geraram prejuízos de US$ 521 bilhões, e as enchentes, de US$ 115 bilhões. No topo da lista estão seis furacões ocorridos nos Estados Unidos, incluindo Katrina (em 2005, com prejuízo de US$ 163 bilhões), Harvey, Maria e Irma, em 2017. Juntos, causaram 35% das perdas econômicas entre os dez piores desastres naturais do mundo. 

O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, prevê que os eventos extremos do clima serão cada vez mais frequentes em várias partes do mundo. Com isso, haverá mais ondas de calor, secas e incêndios florestais. 

Alerta precoce 

Segundo a OMM, apenas metade dos 193 países-membros têm sistemas de alerta precoce sobre eventos climáticos. “Mais vidas estão sendo salvas graças aos sistemas de alerta precoce, mas também é verdade que o número de pessoas expostas ao risco de desastres está aumentando devido ao crescimento populacional em áreas expostas a perigos e à crescente intensidade e frequência dos eventos climáticos”, disse Mami Mizutori, representante especial da ONU e chefe do Escritório para Redução de Risco de Desastres.

Crianças em assentamento para deslocados internos em Cabo Delgado, Moçambique, abril de 2021 (Foto: Unicef/Mauricio Bisol)

Mizutori também cobra mais investimentos em programas de gestão de risco de desastres e faz ainda uma série de recomendações. Uma delas é reforçar os sistemas de financiamento de riscos, especialmente para os países menos desenvolvidos e as pequenas ilhas em desenvolvimento. Outra indicação é para a criação de políticas integradas para desastres que ocorrem de forma lenta, como as secas. 

Situação por continente 

O atlas da OMM também traz informações elencadas por continentes.

A África teve mais de 1,6 mil desastres naturais entre 1970 e 2019, ou 15% do total mundial.  As enchentes estão no topo da lista, mas foram as secas que causaram 95% das mortes no continente.

Na América do Sul, as cheias representaram 59% dos desastres naturais, causando a maior parte das mortes e dos prejuízos financeiros na região. Os furacões estão no topo da lista na América do Norte. 

A Europa enfrentou principalmente enchentes e tempestades, mas foram os eventos extremos do clima que causaram mais mortes: 93%, com mais de 148 mil vidas perdidas nos 50 anos. 

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente pela ONU News