Economia

G-20 estende suspensão de dívida de países pobres e pede plano a bancos

Entre países mais afetados estão Angola, Moçambique e Paquistão, que pediu cancelamento definitivo do valor

O G-20, grupo das maiores economias do mundo, estenderá a suspensão dos pagamentos de dívida para países pobres por mais seis meses. A decisão foi anunciada nesta quarta (14), e pode cobrir um total de US$ 14 bilhões em valores com vencimento ainda neste ano.

A suspensão atinge apenas dívidas de governo para governo. Os valores serão pagos mais adiante, com prazo de cinco anos e 12 meses de carência – período adicional para que os países se organizem antes da retomada do cronograma.

Entre os países que receberam o maior alívio estão Angola, Moçambique, Congo, Paquistão, Laos, Cabo Verde e Quênia. Destes, Cabo Verde, Congo e Laos, além da Zâmbia, correm o maior risco de quebrar nos próximos meses, segundo o Banco Mundial.

G20 estende suspensão de dívida de países pobres e pede plano a bancos
Imagem da reunião de ministros do G20, presidida pela Arábia Saudita, nesta quarta (14), de forma remota (Foto: G20org/Twitter)

A medida estende a iniciativa de suspensão acordada em abril, quando o novo coronavírus começava a chegar a diversos dos países afetados.

Agora, as nações de renda baixa e endividadas terão até junho de 2021 sem parcelas a quitar. O objetivo é liberar espaço nos orçamentos para auxílio e fortalecimento dos sistemas de saúde locais durante a pandemia.

Já são 43 os países que aderiram ao programa de suspensão temporária de pagamentos. Nesse caso, a extensão de 180 dias gerará uma economia de US$ 6,4 bilhões. O G-20 informou que 73 nações podem aderir.

A Oxfam Internacional classificou a medida como “o mínimo que o G-20 poderia fazer”, informou a Associated Press. Essas entidades, além do próprio grupo de nações, tem pedido aos credores privados – bancos e instituições financeiras, por exemplo – que tomem providências do tipo.

Grupos de ajuda humanitária recomendaram que a moratória fosse estendida por no mínimo um ano. Outra alternativa seria o perdão de parcela dos valores devidos, ideia respaldada por nações como o Paquistão.

A China é a maior força de oposição à medida e já manifestou interesse em retomar o cronograma de pagamentos após suspensão temporária em junho, mesmo à luz da crise econômica.

A próxima reunião de ministros da Economia e Finanças e presidentes do Banco Central do G-20, que está sob a presidência temporária da Arábia Saudita, acontece entre 21 e 22 de novembro.