Guerra EUA-Israel contra o Irã pode fortalecer o Estado Islâmico, alertam especialistas

Conflito pode abrir brechas para avanço do EI-K na fronteira entre Irã, Afeganistão e Paquistão

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã redesenha o equilíbrio de forças no Oriente Médio e acende um alerta entre analistas de segurança internacional: o conflito pode criar condições favoráveis para o ressurgimento do Estado Islâmico (EI), especialmente sua ramificação mais ativa atualmente, o Estado Islâmico-Khorasan (EI-K). As informações são da Newsweek.

Com ataques direcionados à liderança e à estrutura militar iraniana, a República Islâmica enfrenta pressão simultânea em múltiplas frentes. Esse cenário de dispersão de forças e instabilidade interna pode abrir brechas para a atuação de grupos armados não estatais que veem no caos uma oportunidade estratégica.

Homem-bomba do EI-K no Afeganistão (Foto: reprodução de vídeo)
Por que o EI pode se beneficiar da guerra contra o Irã

O Estado Islâmico considera Irã, Estados Unidos e Israel como inimigos centrais. Apesar disso, especialistas apontam que o enfraquecimento momentâneo do aparato de segurança iraniano pode facilitar ações insurgentes dentro do país.

A Província de Khorasan do Estado Islâmico, conhecida como EI-K, já demonstrou capacidade operacional significativa ao realizar ataques de grande impacto em território iraniano nos últimos anos. Baseado majoritariamente no Afeganistão, o grupo atua em uma região marcada por tensões envolvendo também o Paquistão, o que amplia o risco de expansão do conflito.

A atual guerra intensifica um cenário de fragmentação regional marcado por múltiplas frentes de tensão. O confronto direto entre Estados Unidos, Israel e Irã ocorre paralelamente ao agravamento das tensões entre Afeganistão e Paquistão, enquanto milícias alinhadas ao chamado Eixo da Resistência ampliam sua atuação em diferentes territórios. Ao mesmo tempo, movimentos insurgentes ganham força em áreas curdas e na região do Baluchistão. Nesse contexto de instabilidade e disputas simultâneas, o ambiente tende a favorecer organizações que se aproveitam de vácuos de poder e de divisões sectárias para expandir influência e presença.

EI-K e o risco de instabilidade interna no Irã

O EI-K tem como foco declarado o combate ao que considera um governo xiita “apóstata”. O grupo já realizou ataques de grande repercussão no Irã, demonstrando capacidade de infiltração e planejamento.

Com as forças iranianas mobilizadas em frentes externas e sob pressão militar, analistas avaliam que há risco de redução da capacidade de contenção interna. Além do Estado Islâmico, outros grupos armados podem tentar ampliar sua influência, incluindo organizações balúchis e facções curdas que mantêm histórico de confronto com Teerã.

A instabilidade também pode alimentar narrativas extremistas, facilitando recrutamento e propaganda digital.

Tempestade perfeita

A guerra entre EUA-Israel e Irã ocorre em um momento delicado para o Oriente Médio. Nos últimos anos, o Irã e seus aliados enfrentaram desgaste militar e político. Ao mesmo tempo, conflitos paralelos continuam ativos em diferentes pontos da região.

Caso a instabilidade se prolongue, o cenário pode evoluir para uma nova fase de deterioração da segurança regional. Há risco de recrudescimento de ataques terroristas, ampliação de confrontos na fronteira entre Irã e Paquistão e intensificação de disputas étnicas internas em diferentes países.

Ao mesmo tempo, a insegurança no Golfo tende a aumentar, afetando rotas estratégicas e elevando a tensão entre atores regionais. Especialistas alertam que conflitos prolongados entre Estados costumam abrir espaço para que grupos extremistas se reorganizem, explorem vácuos de poder e ampliem sua capacidade de atuação.

Por que isso importa?

Embora tenha ganhado notoriedade somente após o Taleban ascender ao poder, o EI-K não é novo no cenário afegão. O grupo extremista opera no Afeganistão desde 2015 e surgiu na esteira da criação do EI. Foi formado originalmente por membros de grupos do Paquistão que migraram para fugir da crescente pressão das forças de segurança paquistanesas.

Agora que a ocupação estrangeira no Afeganistão terminou e que o antigo governo foi deposto pelo Taleban, os principais alvos do EI-K têm sido a população civil e os próprios talibãs, tratados como apóstatas pela facção de Khorasan, sob a acusação de que abandonaram a jihad por uma negociação diplomática.

Os ataques suicidas são a principal marca do EI-K, que habitualmente tem uma alta taxa de mortes por atentado. O mais violento de todos ocorreu durante a retirada de tropas dos EUA e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), quando as bombas do grupo mataram 183 pessoas na região do aeroporto de Cabul.

Não há diferença substancial entre EI e EI-K, somente o local de origem, a região de Khorasan, originalmente parte do Irã.

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