Guterres critica gestão global da migração e cobra ação internacional contra tráfico humano

Secretário-geral da ONU afirmou que “a migração não é a crise” durante fórum internacional e apresentou plano de seis pontos para enfrentar mortes, tráfico humano e deslocamentos forçados

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu nesta quinta-feira (7) uma resposta global coordenada para a migração internacional e criticou o que chamou de “falha coletiva” dos países em administrar o fenômeno de forma conjunta. As informações são da Anadolu.

Durante o Fórum Internacional de Revisão das Migrações de 2026, realizado em Istambul, Guterres afirmou que a migração é um processo histórico natural e não uma crise em si.

“A migração não é a crise. A crise é o fracasso coletivo do mundo em gerenciá-la em conjunto”, declarou o chefe da ONU ao alertar para o aumento da desinformação, da xenofobia e da exploração política do tema.

Secretário-geral da ONU, o português António Guterres (Foto: UN Photo/Evan Schneider)

Segundo o secretário-geral, mais de 15 mil pessoas morreram ou desapareceram em rotas migratórias nos últimos dois anos. Ele também destacou que cerca de 200 mil vítimas de tráfico humano foram identificadas nos últimos quatro anos.

Plano de seis pontos

Durante o encontro, Guterres apresentou uma estratégia de seis pontos voltada para reduzir o impacto humanitário das migrações e combater organizações criminosas ligadas ao tráfico de pessoas.

Entre as propostas defendidas pelo secretário-geral estão:

  • fortalecimento da cooperação internacional contra redes de tráfico humano;
  • interrupção dos fluxos financeiros das organizações criminosas;
  • ampliação de mecanismos legais de migração;
  • proteção dos direitos humanos de migrantes;
  • fim da detenção de famílias e crianças;
  • investimentos em educação e oportunidades econômicas nos países de origem.

O líder da ONU afirmou que o combate ao tráfico humano deve ter a mesma intensidade das ações globais contra o narcotráfico.

Direitos humanos e rotas seguras

Guterres também reforçou que os direitos humanos devem permanecer “em primeiro plano”, independentemente da situação migratória de cada pessoa.

O secretário-geral pediu aos países-membros que ampliem rotas legais e seguras de migração para reduzir a exploração de trabalhadores e diminuir o número de viagens consideradas perigosas.

Além disso, ele voltou a defender apoio financeiro ao Fundo Fiduciário Multiparceiro para a Migração, iniciativa que, segundo a ONU, já mobilizou US$ 68 milhões desde 2019.

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