Gigante da defesa oferece 12 bilhões de euros e tenta assumir programa naval travado na Alemanha

Rheinmetall busca assumir programa atrasado de navios de guerra, considerado estratégico para a dissuasão europeia contra a Rússia

A empresa alemã Rheinmetall apresentou uma proposta de cerca de € 12 bilhões para assumir um problemático projeto de construção naval da Alemanha, envolvendo seis fragatas da classe F126. O programa, considerado essencial para a estratégia de defesa europeia, enfrenta atrasos e impasses contratuais há anos. As informações são do Financial Times.

A oferta foi formalizada após meses de negociações e análises técnicas conduzidas pela divisão naval da companhia, que busca assumir a liderança do projeto atualmente em crise. A iniciativa marca uma tentativa da empresa de expandir sua atuação para além dos segmentos tradicionais de armamentos terrestres.

(Foto: WikiCommons)

O contrato, originalmente liderado pelo estaleiro holandês Damen Shipyards Group, sofreu reveses devido a falhas de software e divergências com autoridades alemãs responsáveis pelas aquisições militares. Como consequência, pagamentos foram suspensos, levando a empresa a reavaliar sua participação seis anos após vencer a licitação.

Caso a proposta seja aceita, o custo total do programa poderá atingir € 14 bilhões, considerando cerca de € 2 bilhões já desembolsados para a Damen e suas subcontratadas. O valor apresentado pela Rheinmetall inclui ainda mecanismos de ajuste inflacionário atrelados aos prazos de entrega.

O cronograma do projeto também sofreu impacto significativo. A entrega da primeira fragata, inicialmente prevista para 2028, já acumula atraso de quatro anos. A Rheinmetall afirma que poderá concluir a embarcação até 2032, ou antecipar para o segundo semestre de 2031, caso haja flexibilização nos processos de certificação por parte do governo alemão.

O programa F126 é visto como peça-chave para a presença militar europeia no Mar Báltico e no Atlântico Norte, especialmente diante das tensões com a Rússia. O impasse ocorre em um momento em que a Alemanha amplia significativamente seus investimentos em defesa.

Se concretizado, este será o maior contrato da história da Rheinmetall. A empresa, sediada em Düsseldorf, reforçou recentemente sua atuação no setor naval ao adquirir o estaleiro Naval Vessels Lürssen (NVL), com sede em Bremen, que já atuava como subcontratado no projeto.

A expansão faz parte da estratégia liderada pelo CEO Armin Papperger, que busca posicionar a companhia também nos mercados naval, de drones e espacial.

No campo político, parlamentares alemães devem analisar com cautela o novo acordo, especialmente em relação aos prazos e à proposta de flexibilização de exigências técnicas. Além disso, questões como propriedade intelectual e responsabilidades sobre etapas já executadas prometem dificultar as negociações.

O chanceler Friedrich Merz afirmou recentemente que o governo espera concluir o projeto sob liderança nacional, sinalizando apoio à reestruturação do programa.

Como alternativa aos atrasos, o governo alemão avalia a compra de fragatas menores do modelo MEKO A-200, produzidas pela Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS), com custo estimado de € 1 bilhão por unidade. A estratégia faz parte de uma “abordagem dupla” para reduzir rapidamente as lacunas operacionais das forças armadas.

Fontes indicam ainda que autoridades solicitaram à TKMS a elaboração de uma proposta ampliada para até oito embarcações, movimento interpretado como tentativa de fortalecer a posição do governo nas negociações com a Rheinmetall.

As discussões seguem em andamento, sem definição final até o momento.

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