Houthis alegam que ao menos um míssil hipersônico faz parte de seu arsenal

Rebeldes dizem que o Iêmen vai produzir a arma para que seja usada em ataques no Mar Vermelho e no Golfo de Áden

Os rebeldes Houthis, do Iêmen, que vêm atacando navios comerciais no Mar Vermelho como resposta aos ataques de Israel em Gaza, alegam ter em seu arsenal um míssil hipersônico, que representaria um desafio enorme para os sistemas de defesa ocidentais que protegem as embarcações.

A revelação foi feita por uma fonte militar próxima ao grupo iemenita, que conversou com a agência de notícias estatal russa RIA Novosti. A informação, que carece de verificação independente, foi ainda reproduzida pela agência Associated Press (AP).

“As forças de mísseis do grupo testaram com sucesso um míssil que é capaz de atingir velocidades de até Mach 8 (dez mil quilômetros por hora) e funciona com combustível sólido. O Iêmen pretende começar a fabricá-lo para uso em ataques no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, bem como contra alvos em Israel”, disse a fonte.

Em outubro de 2023, um destróier da Marinha dos EUA conseguiu neutralizar com sucesso uma ameaça composta por mísseis Houthi e drones no Mar Vermelho (Foto: WikiCommons)

A revelação se segue a um anúncio feito no mês passado pelo líder dos Houthis, Abdul Malik al-Houthi, segundo quem uma “surpresa” seria apresentada aos “inimigos” em breve. Ele, porém, não deu maiores detalhes sobre a que se referia.

Paralelamente, os rebeldes iemenitas têm alterado seus mísseis balísticos para se tornem mais potentes, sendo estas as armas mais frequentemente usadas nos ataques. Diferente desses projéteis, que voam em trajetória regular, os hipersônicos são mais velozes e podem mudar de direção antes de atingir o alvo, o que dificulta bastante a missão de sistemas de defesa antiaérea como o norte-americano Patriot.

Ataques sem critério

O grupo rebelde baseado no Iêmen, que conta com apoio do governo iraniano, tem atacado navios na região sob o argumento de que eles servem a Israel. Trata-se de uma resposta direta à operação militar do Estado judeu na Faixa de Gaza, que por sua vez é uma reação ao ataque do Hamas em território israelense ocorrido em 7 de outubro de 2023.

Atualmente, porém, as ações dos rebeldes são cada vez mais aleatórias, atingindo inclusive navios sem qualquer relação direta com Israel. Mesmo embarcações com bandeiras de países que não apoiam a luta contra o Hamas estão sob ameaça. Em fevereiro, um navio que carregava milho brasileiro rumo ao Irã foi atingido por dois mísseis, que causaram pequenos danos, sem registro de pessoas feridas.

Porém, segundo uma autoridade de segurança ouvida pela agência Reuters, o ataque não pegou Teerã de surpresa. O objetivo da agressão seria “mostrar que o Irã não controla os Houthis e que eles agem de forma independente”, e para isso o governo iraniano teria sido informado com antecedência do ataque.

Na semana passada, dois marinheiros filipinos e um vietnamita foram as primeiras vítimas fatais de um ataque dos Houthis, que atingiram o navio  MV True Confidence no Golfo de Áden. Além dos mortos, quatro pessoas ficaram feridas, e os demais a bordo tiveram que evacuar a embarcação, um graneleiro de bandeira de Barbados e propriedade da Libéria

China e Rússia lideram

Na corrida armamentista atual, os EUA estão em desvantagem no que tange a mísseis hipersônicos. Embora o armamento venha sendo desenvolvido por Washington, ainda não está à disposição de suas Forças Armadas. Nesse campo, os líderes globais são ChinaRússia, sendo que Moscou foi o único país até hoje a de fato usar o artefato em situação de combate, na guerra da Ucrânia.

É a China, porém, quem está na dianteira. O país tem atualmente 73% de toda a pesquisa global de alto impacto no setor de mísseis hipersônicos, superando não apenas os EUA, mas a soma dos nove países que aparecem depois dela no ranking. A Coreia do Norte também alega ter testado com sucesso a arma.

“Embora China e Rússia tenham realizado numerosos testes bem-sucedidos de armas hipersônicas e provavelmente tenham colocado em campo sistemas operacionais, a China está liderando a Rússia tanto no suporte à infraestrutura quanto no número de sistemas”, disse em março de 2023 Paul Freisthler, cientista-chefe da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, segundo a rede Voice of America (VOA).

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