Oriente Médio

Iraque faz exumação em vala comum para identificar vítimas do Estado Islâmico

Vala comum guarda os restos mortais de pelo menos 123 prisioneiros vítimas do massacre de Badush, de 2014

As autoridades do Iraque abriram uma vala comum em Nínive, no norte do país, para identificar vítimas do EI (Estado Islâmico). O local guarda os restos mortais de pelo menos 123 pessoas no antigo reduto do grupo terrorista.

Conforme a agência France24, as vítimas teriam sido mortas durante o massacre da prisão de Badush, pouco depois de o EI tomar o controle de um terço do Iraque em 2014. O ataque à prisão libertou presos muçulmanos sunitas.

Os extremistas forçaram outros 583 prisioneiros – em especial xiitas – a entrar em caminhões até uma ravina para serem mortos. Os detentos eram civis presos pelas forças dos EUA ainda em 2005.

Iraque abre vala comum para identificar vítimas do Estado Islâmico em Nínive
Familiares de vítimas do massacre de Badush reivindicam identificação dos corpos desaparecidos em Nínive, Iraque, junho de 2021 (Foto: Reprodução/Twitter/@IraqiSpoxMOD)

Dezenas de famílias de vítimas deram amostras de sangue nas últimas semanas. Analistas compararão o material com o DNA dos restos mortais da vala comum de Nínive.

As forças do Iraque descobriram o local em março de 2017, pouco depois de reassumirem o controle da área. Estima-se que o EI tenha deixado outras 200 valas comuns com até 12 mil vítimas da violência na região.

Identificando os mortos

Bagdá iniciou uma campanha para identificar os restos mortais da brutalidade desde a execução do ditador Saddam Hussein. A tarefa é árdua, registrou a agência Middle East Eye, uma vez que os corpos foram queimados ou expostos à deterioração natural.

O calor nas valas é insuportável, relatou Saleh Ahmed, membro da comissão governamental para identificar os mortos de Badush. “Alguns restos estão emaranhados, há cobras e escorpiões por toda parte”, disse.

Em fevereiro, agentes devolveram cadáveres em decomposição de 104 yazidis assassinados por militantes do EI em agosto de 2014 à aldeia de Kojo, no distrito de Sinjar. O grupo terrorista tem a etnia como alvo frequente.