Oriente Médio

ONU: Guterres realça urgência para angariar US$ 3,85 bilhões e apoiar Iêmen

Agravada pela pandemia, fome do Iêmen ameaça 16 milhões; país vive maior crise humanitária do mundo

Este conteúdo foi publicado originalmente pela agência ONU News, da Organização das Nações Unidas

A lista de urgência do Iêmen foi entregue pelas Nações Unidas a uma Conferência de Doadores nesta segunda-feira (1). Por videoconferência, o secretário-geral António Guterres disse que o Iêmen precisa de US$ 3,85 bilhões para atender as necessidades humanitárias deste ano.

No topo da relação está a emergência para salvar vidas do país em conflito além de maior participação política, governança responsável, direito à cidadania plena e justiça econômica. 

O encontro de alto nível, porém, teve promessas de aproximadamente US$ 1,7 bilhão, um valor que o chefe da ONU considerou decepcionante. A conferência foi coorganizada pela Suécia e Suíça para financiar a resposta à crise no país, que vive uma guerra de mais de seis anos.  

ONU: Guterres realça urgência em angariar US$ 3,85 bilhões para apoiar Iêmen
Crianças deslocadas aguardam por carga d’água em acampamento de refugiados mantido pelo governo do Iêmen, em abril de 2020 (Foto: Divulgação/Unicef)

Na abertura, Guterres ressaltou que este é um momento de corrida contra a fome, se o propósito é evitar a morte de milhões de iemenitas pelo problema e pela inanição.  

O conflito começou quando rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, tomaram áreas do norte e a capital Sanaa. Uma aliança internacional liderada pela Arábia Saudita combate os grupos ao lado do governo reconhecido pela comunidade internacional. 

Para Guterres, esta é “uma ameaça mortal num país que já enfrenta graves problemas de saúde”. Surtos de cólera e desnutrição infantil severa já causaram milhares de mortes. 

Fome 

O conflito também levou ao encerramento ou destruição de metade das instalações de saúde. Estima-se que 4 milhões de iemenitas tenham sido forçados a abandonar suas casas.    

De acordo com as Nações Unidas, mais de 16 milhões de pessoas passarão fome ainda este ano devido à urgência do Iêmen. Cerca de meio milhão já vivem em condições semelhantes à fome. 

No ano passado, o número de civis mortos e feridos pode ter sido superior a 2 mil. A situação causou graves danos na economia e arrasou os serviços públicos. 

Este ano, quase metade de menores de cinco anos deverá enfrentar desnutrição aguda. Guterres chamou a atenção para sintomas que incluem perda excessiva de peso, depressão e exaustão. 

ONU: Guterres realça urgência em angariar US$ 3,85 bilhões para apoiar Iêmen
Por sua localização estratégica, o Iêmen é um local de trânsito entre os países africanos. Na foto, refugiados desembarcam no país depois de saírem da Etiópia, em dezembro de 2010. O destino final é a Grécia (Foto: União Europeia/J. George)

O secretário-geral disse que cerca de 400 mil dessas crianças também sofrem de desnutrição aguda grave e podem morrer se não receberem tratamento urgente. 

Uma das questões mais preocupantes é a queda do financiamento humanitário. No ano passado, os doadores entregaram US$ 1,9 bilhão – metade do necessário e angariado no período anterior. 

Diante do colapso da moeda iemenita e das quedas das remessas vindas do exterior, várias agências que forneciam alimentos, água e saúde limitaram ou mesmo interromperam a atuação em território iemenita. 

Guterres alertou que reduzir a ajuda à urgência do Iêmen é uma espécie de sentença de morte para famílias inteiras. Em 2018, doadores evitaram a fome com contribuição, incluindo de nações vizinhas