Doadores arrecadam US$ 1,3 bilhão ao Iêmen; meta da ONU era US$ 2,4 bilhões

Sem recursos, mais de 30 entre 41 programas das Nações Unidas no Iêmen seriam encerrados nas próximas semanas
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Doadores internacionais arrecadaram até esta terça (2) US$ 1,35 bilhão em ajuda humanitária para o Iêmen. O valor fica abaixo da meta da ONU de US$ 2,4 bilhões. As informações são da agência de notícias Reuters.

Os recursos são necessários para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus no país, devastado por uma guerra civil que já dura cinco anos.

Sem os recursos, mais de 30 entre 41 programas das Nações Unidas no Iêmen seriam encerrados nas próximas semanas. Sem as iniciativas, também cresce a preocupação quanto ao agravamento da pandemia no país, no sul da península arábica.

A coordenadora das Nações Unidas para o Iêmen, Lise Grande, afirmou que as operações no país enfrentariam cortes catastróficos caso a arrecadação não passasse dos US$ 1,6 bilhão.

O Iêmen registrou o primeiro caso de Covid-19 no início de abril. Até esta terça (2), foram registrados 358 casos e 85 mortes, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Em apenas um dia, foram registrados 31 novos casos e quatro novas mortes.

Entidades apontam falta de testes e análises, indicando subnotificação do número de vítimas no Iêmen. Apesar de os números oficiais indicarem que dez das 22 províncias tiveram casos confirmados, especialistas acreditam que todas as áreas do país já podem ter sido infectadas.

Doadores arrecadam US$ 1,3 bilhão ao Iêmen; meta da ONU era US$ 2,4 bilhões
No Iêmen, 80% da população precisa de ajuda humanitária (Foto: Mark Lowcock/Twitter)

Doadores

A Arábia Saudita foi co-anfitriã do evento ao lado da ONU e prometeu US$ 500 milhões, incluindo US$ 25 milhões que seriam destinados para o combate ao coronavírus.

O país enfrenta diversas críticas de grupos de direitos humanos internacionais, que acusam o comportamento dos sauditas na guerra. Entre os problemas está os ataques aéreos que matam civis e destroem a já parca infraestrutura iemenita.

Já a Grã Bretanha, que vende arma para a coalizão saudita na guerra civil, doou US$ 201 milhões. Os alemães prometeram a destinação de US$ 140 milhões ao Iêmen.

Os EUA, que também apoiam a Arábia Saudita na questão, afirmaram no último mês que destinariam US$ 225 milhões em ajuda para a compra de alimentos.

Do dinheiro destinado ao Iêmen, cerca de US$ 180 milhões seriam de uso exclusivo ao combate do coronavírus.

Guerra civil

Desde 2015, o Iêmen enfrenta uma guerra civil. O conflito começou em 2014, quando um grupo rebelde tentou derrubar o governo do então presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi.

Um ano depois, a coalizão saudita interveio no país na tentativa de restaurar o governo. O conflito entre a Arábia Saudita e os rebeldes houthis deixou 80% da população dependente de ajuda humanitária.

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