EUA colocam EI-K entre principais alvos e sancionam líderes do grupos extremista

Representante do Pentágono alertou em outubro para o crescimento do grupo extremista afegão e para o risco de realizar ataques no exterior
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No final de outubro, Colin Kahl, terceiro nome na hierarquia do Pentágono, chamou a atenção para o crescimento do Estado Islâmico-Khorasan (EI-K) no Afeganistão, onde tem realizado ataques cada vez mais frequentes e mortíferos. Na ocasião, ele alertou para a possibilidade de, em breve, o grupo conseguir atuar também no exterior, sobretudo nos Estados Unidos. A advertência parece ter ressoado em Washington, que nesta terça-feira (23) colocou três importantes figuras da organização em sua lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT, na sigla em inglês).

Sanaullah Ghafari, também conhecido como Shahab al-Muhajir, é o principal líder do EI-K desde junho de 2020 e encabeça a relação. É ele quem aprova as operações do grupo e arrecada fundos para que viabilizar os ataques. Por sua vez, Aziz Azam, ou Sultão Aziz, é porta-voz do EI-K desde que o grupo chegou ao Afeganistão. Já Maulawi Rajab, ou Maulawi Rajab Salahudin, é encarregado de planejar ataques e operações em Cabul.

Dois combatentes do Estado Islâmico-Khorasan capturados após ataque a hospital de Cabul (Foto: reprodução/Twitter)

“Como resultado dessas ações, os americanos estão geralmente proibidos de se envolver em quaisquer transações com aqueles designados hoje. Suas propriedades e interesses em propriedades sujeitas à jurisdição dos Estados Unidos estão bloqueadas”, afirma o comunicado publicado pelo Departamento de Estado norte-americano, que anunciou as sanções.

Por sua vez, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou um quarto indivíduo, Ismatullah Khalozai, acusado de dar apoio financeiro ao EI-K. “Khalozai foi um facilitador financeiro internacional do EI-K e realizou missões para a liderança sênior do EI (Estado islâmico)”, diz o comunicado do órgão.

Entre as acusações que pesam contra Khalozai estão o envio de itens de luxo a destinos internacionais para revenda, bem como operações de contrabando de seres humanos. Ele também teria realizado operações financeiras na Turquia e nos Emirados Árabes Unidos, sempre com o objetivo de gerar fundos para a organização terrorista.

Por que isso importa?

O EI-K não é novo no cenário afegão. O grupo extremista opera no país desde 2015 e surgiu na esteira da criação do Estado Islâmico (EI) do Iraque e da Síria. Foi formado originalmente por membros de grupos do Paquistão que migraram para o Afeganistão fugindo da crescente pressão das forças de segurança paquistanesas. Não há diferença substancial entre o EI e o EI-K, somente o local de origem, a região de Khorasan, originalmente no Irã.

Agora que a ocupação estrangeira no Afeganistão terminou e que o antigo governo foi deposto pelo Taleban, os principais alvos do EI-K têm sido a população civil e os próprios talibãs, tratados como apóstatas pelo Khorasan sob a acusação de que abandonaram a jihad por uma negociação diplomática.

Os ataques suicidas são a principal marca do EI-K, que habitualmente tem uma alta taxa de mortes por atentado. O mais violento de todos eles ocorreu durante a retirada de tropas dos Estados Unidos e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), quando as bombas do grupo mataram 182 pessoas na região do aeroporto de Cabul.

No início de outubro, dezenas de pessoas morreram em um ataque suicida a bomba contra uma mesquita na província de Kunduz, no nordeste do Afeganistão. Já em novembro, nova ação do EI-K, esta contra um hospital de Cabul, deixou 25 pessoas mortas e cerca de 50 feridas.

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