Mais de 200 russos são presos durante manifestações antiguerra no fim de semana

Protestos foram realizados em 18 cidades da Rússia. Pena é rigorosa para quem “desacredita o uso das forças armadas”
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Pelo menos 214 pessoas foram detidas na Rússia no fim de semana por realizarem protestos contra o conflito na Ucrânia, entre elas diversos estudantes e professores, relatou o site independente de monitoramento policial OVD-Info. A maioria das ações, registradas em 18 cidades do país, foram piquetes individuais, a única forma de manifestação que não exige a aprovação prévia das autoridades. As informações são do jornal independente The Moscow Times.

Dentro da severa legislação para controle das manifestações, os detidos têm que pagar multas que chegam a 300 mil rublos (R$ 16,9 mil), com possível pena de prisão por até 30 dias. Já uma lei do início de março, com foco na guerra, pune quem “desacredita o uso das forças armadas”.

A pena mais rigorosa é aplicada por divulgar “informações sabidamente falsas” sobre o exército e a “operação militar especial” na Ucrânia, eufemismo do governo para descrever a guerra. A reclusão pode chegar a 15 anos. Mesmo sob ameaça do Kremlin, cidadãos têm feito protestos solitários nas ruas.

Jovem protestou no domingo contra Vladimir Putin em piquete individual na Praça Vermelha em Moscou (Foto: Avtozak LIVE/Reprodução Telegram)

“Isso é algum tipo de piada enorme que nós, para nossa desgraça, estamos vivendo”, disse ao jornal The New York Times Alexandra Bayeva, responsável pelo departamento jurídico da OVD-Info.

Desde o início da invasão militar em território ucraniano, em 24 de fevereiro, as autoridades locais têm encorajado a população a realizar uma “autolimpeza da sociedade”, o que resultou na criação de listas online de “traidores e inimigos”, composta de russos contrários à guerra. Para auxiliar nas denúncias, também foram criados sites que instam os cidadãos a delatarem os manifestantes, definidos como “pragas”.

A iniciativa tem trazido resultados. Na república russa da Buriácia, por exemplo, localizada seis mil quilômetros a leste de Moscou, o treinador de tiro com arco Valery Yakovlev foi delatado às forças polícias após ter derrubado uma grande letra “Z” – símbolo pró-guerra – que havia sido colocada em frente à entrada de uma escola.

O instrutor, de 64 anos, teve sua ação gravada por um zelador do educandário, de acordo com o site de notícias Lyudi Baikala. Ele foi acusado pela Justiça russa na semana passada de desacreditar as forças armadas russas e multado em um total de 90 mil rublos (cerca de R$ 4,9 mil). No tribunal, Yakovlev alegou que “as crianças deveriam estar fora da política”.

Porém, a diretora da escola defendeu sua decisão de entregá-lo às autoridades. “Putin disse que quaisquer atividades extremistas contra o exército russo e as operações militares deveriam ser suprimidas”, justificou ela.

Em uma outra situação, o estudante Yevgeny Fokin, aluno da 10ª série, residente da cidade de Novosibirsk, pode pegar até três anos de prisão por ter compartilhado um comentário no Telegram, informou a mídia local no sábado. Embora o conteúdo do post não seja conhecido, ele foi descrito por autoridades como “informação falsa” sobre os militares russos.

A deputada municipal de Novosibirsk, Svetlana Kaverzina, relaciona as delações à era soviética, quando era comum entre a população entregar outros cidadãos por opiniões divergentes das do regime.

“Nosso poderoso exército, ao que parece, é facilmente desacreditado por um mero estudante”, escreveu ela no Telegram. “O Estado tem que usar todo o seu aparato para pressionar uma criança em idade escolar”.

Os mortos de Putin

Desde que assumiu o poder na Rússia, em 1999, o presidente Vladimir Putin esteve envolvido, direta ou indiretamente, ou é forte suspeito de ter relação com inúmeros eventos, que levaram a dezenas de milhares de mortes. A lista de vítimas do líder russo tem soldados, civis, dissidentes e até crianças. E vai aumentar bastante com a guerra que ele provocou na Ucrânia

Na conta dos mortos de Putin entram a guerra devastadora na região do Cáucaso, ações fatais de suas forças especiais que resultaram em baixas civis até dentro do território russo, a queda suspeita de um avião comercial e, em 2022, a invasão à Ucrânia que colocou o mundo em alerta.

A Referência organizou alguns dos principais incidentes associados ao líder russo. Relembre os casos.

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