Nesta quinta-feira (15), o presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, propôs a formação de um comitê consultivo operacional com a Coreia do Norte para ajudar a diminuir as tensões entre os dois países e reiniciar a cooperação econômica. As informações são da Deutsche Welle.
Yoon também se comprometeu a aumentar o acesso dos norte-coreanos a informações externas, afirmando que as transmissões de rádio e televisão sul-coreanas podem ser uma ferramenta eficaz para inspirar o desejo de unificação entre os habitantes do outro lado da fronteira.
O discurso de Yoon ocorreu durante uma cerimônia do feriado “Gwangbokjeol”, na Coreia do Sul, que celebra o fim da Segunda Guerra Mundial e o término da ocupação japonesa da Península Coreana. Esse feriado é conhecido como “Dia da Libertação”.

Yoon também enfatizou a necessidade de alertar os norte-coreanos sobre a “falsa propaganda e incitações” do seu governo.
“Se mais norte-coreanos perceberem que a única forma de melhorar suas vidas é através da unificação baseada na liberdade e acreditarem que uma República da Coreia unificada os acolherá, eles se tornarão apoiadores dessa unificação”.
O líder sul-coreano não deu detalhes sobre o novo órgão de trabalho proposto, mas mencionou a dificuldade de negociar com Pyongyang ao citar que a Coreia do Norte recusou uma oferta de ajuda humanitária da Coreia do Sul este mês, após uma inundação em uma área agrícola.
Apesar disso, ele assegurou que Seul continuará oferecendo ajuda. “Nosso governo não ignorará o sofrimento do povo norte-coreano”, afirmou Yoon.
As relações entre Seul e Pyongyang estão no ponto mais baixo dos últimos anos. No início deste ano, Kim Jong-un chamou a Coreia do Sul de “inimiga” – o Sul retribuiu – e afirmou que a unificação não era mais possível. Recentemente, a Coreia do Norte enviou 250 lançadores de mísseis balísticos para sua fronteira sul e tem lançado milhares de balões com lixo em direção ao sul desde maio.
Em resposta, Seul retomou suas transmissões de propaganda ao longo da fronteira e suspendeu um acordo de 2018 que visava reduzir as tensões entre os dois países.
Dados de uma pesquisa divulgada em abril mostraram que cerca de dois terços dos sul-coreanos acham que a unificação é “necessária” ou “muito necessária”.
“Reino congelado”
Nos anos 1950, a Coreia do Sul e a Coreia do Norte lutaram em uma guerra civil, com os EUA e as forças da ONU (Organização das Nações Unidas) apoiando o Sul e a China apoiando o Norte. Yoon chamou o fim dessa divisão de um “desafio histórico crucial” e se referiu aos norte-coreanos como “26 milhões de irmãos” vivendo em um “reino congelado”.
Desde o armistício de 1953, as relações entre os países têm sido majoritariamente hostis, com alguns períodos de distensão que promoveram trocas políticas e econômicas. Recentemente, as tensões aumentaram novamente devido ao desenvolvimento de mísseis e armas nucleares pela Coreia do Norte.