O Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) conquistou uma vitória esmagadora nas eleições gerais realizadas em 12 de fevereiro, marcando a primeira votação desde os protestos liderados pela chamada Geração Z que derrubaram Sheikh Hasina do poder. A legenda de centro-direita garantiu mais de dois terços das cadeiras no Parlamento, consolidando maioria suficiente para liderar uma ampla agenda de reformas constitucionais. As informações são da BBC.
Com a Liga Awami impedida de disputar o pleito, o Jamaat-e-Islami ficou em segundo lugar. A participação eleitoral foi de 59,44%, segundo a Comissão Eleitoral.

O líder do BNP, Tarique Rahman, deve assumir como primeiro-ministro. Ele retorna ao centro do poder após 17 anos em exílio autoimposto em Londres e uma trajetória marcada por controvérsias e acusações contra o partido em governos anteriores, no início dos anos 2000. Durante a campanha, Rahman prometeu restaurar a democracia, fortalecer as instituições e limitar o mandato do chefe de governo.
Além da eleição parlamentar, os eleitores aprovaram reformas em referendo paralelo. Entre as propostas estão a criação de uma câmara alta eleita diretamente, maior independência do Judiciário e ampliação dos poderes presidenciais.
Desafios econômicos e relações com a Índia
O novo governo herda um cenário econômico delicado. Entre as prioridades estão conter a alta dos preços dos alimentos, estimular o crescimento e gerar empregos para a numerosa população jovem de Bangladesh.
Outro ponto central será a retomada das relações com a Índia. Horas após a confirmação da vitória do BNP, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, telefonou para Rahman e o parabenizou pelo resultado, sinalizando disposição para manter diálogo e cooperação regional.
Dinastia política e expectativa da juventude
Apesar do discurso de renovação, Tarique Rahman pertence a uma das famílias mais influentes da política de Bangladesh. Ele é filho da ex-primeira-ministra Khaleda Zia, que morreu em dezembro. Sua rival histórica, Sheikh Hasina, governou o país por 15 anos até ser deposta após protestos massivos.
A ausência das duas líderes que dominaram a política nacional por décadas marcou esta eleição como um ponto de inflexão. Ainda assim, especialistas apontam que a consolidação democrática dependerá da capacidade do novo governo de cumprir promessas e responder às demandas de um eleitorado jovem que foi protagonista nas manifestações de 2024.