Filho de aiatolá morto assume liderança do Irã em meio à guerra e tensão com EUA e Israel

Mojtaba Khamenei é anunciado como novo líder supremo após a morte de Ali Khamenei em ataque israelense. Conflito regional já fez o petróleo ultrapassar US$ 100

Pelo horário local, o Irã anunciou nesta segunda-feira (9) que Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, foi escolhido como novo líder supremo do país. A informação foi divulgada pela televisão estatal iraniana, que afirmou que a decisão foi tomada pela Assembleia de Peritos, órgão religioso responsável por escolher a principal autoridade política e religiosa da República Islâmica. As informações são da Associated Press.

A nomeação ocorre poucos dias após a morte de Ali Khamenei, assassinado em um ataque israelense no início da guerra que atualmente envolve Irã, Estados Unidos e Israel e que já se espalha por vários pontos do Oriente Médio.

Segundo a TV estatal, Mojtaba Khamenei foi escolhido por meio de votos considerados “fortes” entre os clérigos da Assembleia de Peritos. Após o anúncio, imagens transmitidas pela emissora mostraram grupos de apoiadores celebrando nas ruas de Teerã.

Mojtaba Khamenei (Foto: WikiCommons)

Mojtaba, de 56 anos, era apontado há anos como um possível sucessor do pai, apesar de nunca ter ocupado cargos oficiais no governo iraniano nem ter sido eleito para funções políticas. Conhecido por manter um perfil reservado e raramente aparecer em público, ele agora assume o posto mais poderoso da teocracia iraniana.

Como líder supremo, Mojtaba Khamenei passa a ter autoridade final sobre todas as decisões estratégicas do país. O cargo inclui o comando das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária, além de influência direta sobre o programa nuclear iraniano e a política externa.

A sucessão ocorre em um momento crítico para o país. O conflito iniciado no final de fevereiro, após ataques israelenses contra alvos iranianos, desencadeou uma escalada militar que agora envolve também forças americanas e aliados regionais.

Nos últimos dias, ataques atingiram instalações de petróleo em Teerã, provocando grandes colunas de fumaça visíveis em diversas áreas da capital. Autoridades iranianas afirmam que bombardeios noturnos atingiram depósitos e terminais de armazenamento de petróleo, deixando mortos.

Ao mesmo tempo, o Irã lançou mísseis e drones contra países do Golfo que abrigam bases militares americanas. Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita relataram novos ataques, enquanto governos da região acusam Teerã de atingir infraestruturas civis.

O Bahrein, por exemplo, afirmou que uma usina de dessalinização, vital para o abastecimento de água potável no país, foi danificada durante ataques. O Irã, por sua vez, acusa os Estados Unidos de terem atingido uma instalação semelhante em seu território.

A escalada do conflito também teve impacto direto na economia global. Com riscos crescentes no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, o preço do barril ultrapassou a marca de US$ 100 (cerca de R$ 524) pela primeira vez em mais de três anos.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump criticou a escolha do novo líder iraniano. “O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã”, afirmou. Trump também declarou que deseja participar das discussões sobre o futuro político do país após o fim da guerra.

Dentro do Irã, no entanto, a sucessão recebeu apoio de setores importantes do regime. A Guarda Revolucionária manifestou respaldo à decisão da Assembleia de Peritos, e o grupo libanês Hezbollah, aliado de Teerã, publicou nas redes sociais uma imagem de Mojtaba Khamenei com a legenda “Líder da abençoada revolução islâmica”.

Enquanto isso, a guerra continua se expandindo pela região. Israel confirmou a morte de dois soldados em confrontos no sul do Líbano contra o Hezbollah. Os Estados Unidos também registraram baixas militares após ataques iranianos contra suas forças na Arábia Saudita.

De acordo com autoridades regionais, o conflito já deixou ao menos 1.230 mortos no Irã, 397 no Líbano e 11 em Israel.

Além das vítimas diretas, a guerra também provocou uma grave crise humanitária. O governo libanês afirma que mais de 500 mil pessoas foram deslocadas após uma semana de confrontos entre Israel e Hezbollah.

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