Moradores de Tel Aviv passaram a dormir em estações de metrô para se proteger dos ataques com mísseis iranianos em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. As plataformas, normalmente usadas apenas para o transporte urbano, se transformaram em abrigos improvisados, cheios de colchões, famílias e pessoas de diferentes nacionalidades que buscam segurança durante a noite. As informações são da Radio Free Europe.
Para Aviad Apirion, professor de 40 anos que trabalha com alunos com necessidades especiais, a rotina mudou desde o início do conflito. Todas as noites ele leva os dois filhos, de 7 e 9 anos, para dormir em uma estação.
“É como um parque de diversões para as crianças aqui. Para mim é complicado, mas prefiro que meus filhos estejam em um lugar seguro”, relatou à reportagem.

Segundo Apirion, apesar de possuir um quarto de segurança em casa, comum em construções modernas em Israel, ele não se sente protegido o suficiente diante da ameaça de mísseis balísticos.
“Tenho abrigo em casa, mas não confio nele quando falamos de mísseis balísticos. Aqui me sinto mais seguro”, afirmou.
A cena nas plataformas mistura tensão e tentativa de normalidade. Crianças brincam, famílias conversam e moradores tentam adaptar a rotina ao ambiente subterrâneo. “Todos se tornaram amigos aqui”, contou o professor.
A presença de estrangeiros também é significativa. Em uma das plataformas, um grupo de trabalhadores indianos passa o tempo jogando xadrez enquanto aguarda a hora de dormir. Alguns atuam na construção civil e no setor de assistência social em Israel.
Um deles, Sooriya Narayana Reddy, disse que chegou ao país há cerca de um mês e espera obter asilo político. Ele afirma que dormir na estação tem uma vantagem inesperada: a tranquilidade durante a madrugada.
“Dormimos em paz. Desligamos os telefones durante a noite”, disse.
Em Israel, a legislação exige que prédios residenciais mais recentes possuam abrigos contra ataques. No entanto, muitas construções antigas em Tel Aviv não contam com esse tipo de estrutura. Abrigos públicos existem, mas costumam ser pequenos e com pouca infraestrutura.
Já a rede de metrô da cidade, inaugurada em 2023, oferece espaços amplos e protegidos. Desde que Israel lançou ataques aéreos contra o Irã em 28 de fevereiro, os trens foram suspensos e as estações passaram a ser utilizadas como refúgio para a população.
Mesmo assim, as condições estão longe do conforto de casa. No saguão de bilheteria de uma estação, um grupo de imigrantes moldavos também passa as noites no local.
“Não estamos dormindo bem. Está frio, o chão é de concreto e estamos ficando doentes. Também não estamos nos alimentando bem. É perturbador e assustador para todos”, disse uma mulher que se identificou apenas como Olessya.
Perto dali, Yousuf, refugiado de 19 anos da Costa do Marfim que aguarda cidadania israelense, afirma que alguns de seus amigos também passaram a dormir nas estações.
“As pessoas estão aqui por causa da guerra. Não sei quando isso vai acabar, mas espero que seja em breve”, disse.
Até 9 de março, Israel registrou 14 mortes de civis durante os ataques. Nove delas ocorreram após um míssil balístico iraniano atingir diretamente um prédio residencial na cidade de Beit Shemesh, a cerca de 30 quilômetros de Jerusalém.
Além dos mísseis iranianos, drones e foguetes também vêm sendo disparados a partir do Líbano pelo Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã e considerado organização terrorista por Israel e pelos Estados Unidos.
Enquanto os alertas de ataque continuam soando nos celulares, moradores de Tel Aviv seguem transformando estações de metrô em dormitórios improvisados, na esperança de atravessar a noite em segurança.