Mais de 10% dos oceanos do planeta estão oficialmente protegidos pela primeira vez na história, segundo estudo conjunto do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-WCMC) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN, da sigla em inglês). Apesar do avanço, o número ainda está distante da meta global de 30% até 2030 e levanta alertas sobre a efetividade dessas áreas. As informações são da Anadolu.
A cobertura atual chegou a 10,01% em abril de 2026, superando pela primeira vez o patamar estabelecido nas Metas de Aichi para a Biodiversidade, que previa esse índice até 2020. O objetivo, no entanto, foi alcançado com seis anos de atraso, evidenciando a lentidão na implementação de políticas globais de conservação.

O avanço recente foi impulsionado principalmente pela criação de novas áreas protegidas nos últimos dois anos. Desde 2024, cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados foram adicionados, elevando a cobertura global de 8,6% para o nível atual. Ainda assim, para cumprir a meta estabelecida no Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, será necessário proteger uma área adicional equivalente ao tamanho do Oceano Índico nos próximos cinco anos.
Segundo Neville Ash, diretor do UNEP-WCMC, o avanço marca um ponto importante, mas está longe de ser suficiente. Ele explica que atingir 10% significa que o mundo percorreu apenas um terço do caminho rumo ao objetivo de 30% até 2030.
Além disso, o especialista destaca que não basta ampliar a extensão das áreas protegidas. A localização, a conectividade e a qualidade da gestão são fatores determinantes para que essas regiões realmente contribuam para a preservação da biodiversidade marinha.
Outro desafio relevante está na distribuição dessas áreas. Atualmente, cerca de 23,2% das águas sob jurisdição nacional já contam com algum nível de proteção. Em contraste, apenas 1,7% das áreas em alto-mar, fora do controle direto dos países, estão protegidas, o que evidencia um desequilíbrio na governança dos oceanos.
A expectativa é que esse cenário comece a mudar com a implementação do Tratado do Alto Mar, conhecido como BBNJ (Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional), que cria mecanismos para a expansão de áreas protegidas em águas internacionais.
Especialistas também ressaltam o papel estratégico da conservação marinha no combate às mudanças climáticas. Ecossistemas oceânicos saudáveis funcionam como grandes reservatórios de carbono, ajudando a reduzir a concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Ambientes costeiros, como manguezais e recifes de coral, também atuam como barreiras naturais contra eventos climáticos extremos, protegendo comunidades vulneráveis.
Apesar do avanço simbólico, o cenário global ainda exige uma aceleração significativa nos esforços de conservação. A ampliação da cobertura, aliada à gestão eficaz e à cooperação internacional, será decisiva para que a meta de 2030 não repita o atraso registrado na última década.