A gigante Rheinmetall anunciou que a Alemanha atingiu um novo patamar na indústria bélica ao superar os Estados Unidos em capacidade de produção de munição. A informação foi divulgada pelo diretor-executivo da companhia, Armin Papperger, em meio a um amplo movimento de rearmamento na Europa. As informações são da Newsweek.
Segundo o executivo, a empresa mais do que quadruplicou a produção anual de munições de calibre médio e elevou a fabricação de projéteis de artilharia para cerca de 1,1 milhão de unidades por ano, um salto significativo em relação às 70 mil produzidas anteriormente. O avanço ocorre em um contexto de aumento da demanda global por armamentos, impulsionado principalmente pela guerra na Ucrânia.

A escalada na produção também reflete mudanças estratégicas no cenário internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia pressionado países europeus a ampliarem seus investimentos em defesa, indicando uma possível redução da dependência militar em relação a Washington. Ao mesmo tempo, os EUA têm direcionado atenção crescente à região do Indo-Pacífico, diante da influência da China.
Nesse cenário, países da Otan firmaram, em 2025, o compromisso de elevar os gastos militares para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo da próxima década, um aumento expressivo em relação à meta anterior de 2%. A medida é considerada a maior expansão de investimentos em defesa na Europa em décadas.
A Alemanha tem sido um dos principais protagonistas desse movimento. O chanceler Friedrich Merz defende maior autonomia militar europeia, enquanto o ministro da Defesa, Boris Pistorius, afirmou que o país pretende construir “o exército convencional mais forte da Europa” até 2039.
A guerra entre Rússia e Ucrânia segue como um dos principais fatores por trás da alta demanda por munição, especialmente de calibre 155 mm, padrão amplamente utilizado por países da aliança atlântica. O consumo elevado nos campos de batalha expôs limitações na capacidade produtiva ocidental, levando à expansão acelerada de fábricas e à abertura de novas unidades industriais.
Além disso, o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI, da sigla em inglês) aponta que os gastos militares globais cresceram quase 3% no último ano, com destaque para a Europa, onde o aumento foi de aproximadamente 14%.
Para analistas, o avanço da indústria alemã simboliza uma mudança estrutural no equilíbrio militar global, com a Europa buscando maior independência estratégica diante das incertezas geopolíticas e da reconfiguração das prioridades dos Estados Unidos.