Setores bancário e imobiliário lideram tombo histórico na bolsa de Dubai

Queda superior a 20% desde o pico de fevereiro coloca o principal índice de Dubai em território de “bear market”, com perdas concentradas nos setores bancário, imobiliário e de turismo

O principal índice da bolsa de valores de Dubai entrou oficialmente em território de mercado de baixa nesta segunda-feira (16), após registrar uma queda superior a 20% em relação ao pico alcançado em fevereiro. A retração reflete uma onda de vendas impulsionada pela escalada das tensões no Oriente Médio, que vem afetando principalmente os setores bancário, imobiliário e de turismo. As informações são da Anadolu.

Dados do mercado financeiro de Dubai mostram que o Índice Geral atingiu 6.785,48 pontos em 10 de fevereiro. Desde então, a referência do mercado recuou para 5.391,98 pontos em 13 de março, acumulando uma perda de aproximadamente 20,5%, o que atende à definição tradicional de mercado em baixa.

Vista de Dubai à noite (Fotos: André Amaral/A Referência)
Queda ampliada pela incerteza geopolítica

A pressão sobre os ativos continuou nesta segunda-feira, mesmo dia em que um ataque com drone supostamente coordenado pelo Irã nas proximidades do Aeroporto Internacional de Dubai provocou um incêndio que atingiu um tanque de combustível e levou à suspensão temporária de voos na cidade. Relatos do mercado indicam que o índice caiu mais 2%, com destaque para a queda de cerca de 3% nas ações da Emaar Properties e recuo de 1,4% no Emirates NBD.

Investidores reagiram ao aumento da incerteza geopolítica na região do Golfo, o que elevou a aversão ao risco e provocou um movimento de retirada de capital de mercados considerados mais sensíveis ao cenário regional.

Desde o início do conflito, o índice da bolsa de Dubai já acumula uma desvalorização superior a 18%.

Setores mais afetados

As perdas se concentram principalmente nos segmentos mais ligados à atividade econômica doméstica e ao sentimento dos investidores.

Os setores bancário e imobiliário lideram as quedas, enquanto empresas ligadas à aviação e ao turismo também enfrentam pressão. O receio de escalada militar na região tem afetado as expectativas para viagens, comércio e atividade empresarial.

No início do mês, o mercado já havia registrado perdas significativas. Após uma paralisação de dois dias nas negociações, o índice caiu 4,7% na reabertura e recuou mais 3,2% no final daquela semana. Entre as empresas que mais pressionaram o desempenho estavam Emaar, Emirates NBD e Air Arabia.

Na semana passada, o cenário se agravou com a intensificação do conflito regional. Em 13 de março, o índice caiu 1,7%, registrando a segunda maior queda semanal em seis anos.

Condomínio da Emaar em obras no bairro de Dubai Hills Estate
Escalada do conflito no Oriente Médio

As tensões no Oriente Médio aumentaram desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram um ataque em grande escala contra o Irã.

Segundo relatos, mais de 1,3 mil pessoas morreram na ofensiva, incluindo o então líder supremo iraniano Ali Khamenei, além de estudantes e altos oficiais militares.

Em resposta, o Irã realizou ataques com drones e mísseis contra Israel, Jordânia, Iraque e países do Golfo que abrigam instalações militares dos Estados Unidos.

A escalada do conflito elevou a volatilidade nos mercados financeiros da região e reforçou o clima de cautela entre investidores internacionais, especialmente em centros econômicos estratégicos como Dubai.

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