BRICS dividido sobre Irã: por que o bloco não age como uma aliança militar

Enquanto o Irã enfrenta ataques dos EUA e Israel, divergências internas do BRICS mostram que o grupo funciona mais como um fórum diplomático do que como um bloco geopolítico unificado

O BRICS, grupo que reúne BrasilRússiaÍndiaChinaÁfrica do Sul e outras nações, enfrenta divisões em relação ao Irã, mostrando que não funciona como uma aliança militar tradicional. Desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro de 2026, o bloco não conseguiu emitir uma posição unificada. Enquanto Brasil e China condenaram os ataques, Índia permaneceu neutra, e a África do Sul optou por não se envolver. As informações são do Foreign Policy.

O Irã, que entrou no BRICS em 2024, trouxe novas complexidades. Com a recente expansão incluindo Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, o grupo se tornou mais diverso e politicamente heterogêneo, tornando difícil a coordenação em crises geopolíticas. A situação se agravou quando drones iranianos atacaram os Emirados Árabes Unidos, mostrando que membros do BRICS podem estar em conflito entre si.

Líderes do BRICS na 17ª Cúpula, Rio de Janeiro, 6 de julho de 2025 (Foto: WikiCommons)

O BRICS não foi criado para agir como uma aliança militar ou geopolítica. Seu foco histórico é econômico: reforma do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, criação de canais de financiamento via Novo Banco de Desenvolvimento e redução da dependência do dólar americano. Além disso, o grupo permite que países emergentes protejam interesses estratégicos sem se comprometer com alianças rígidas.

Analistas destacam que críticas à eficácia do BRICS ignoram a realidade das coalizões modernas. Assim como o G7 e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) apresentam divisões sobre conflitos internacionais, o BRICS funciona como um fórum para negociação seletiva, coordenação estratégica e fortalecimento do poder de barganha de seus membros em um mundo global fragmentado.

Nos próximos meses, o BRICS se concentrará em cooperação em infraestrutura digital e inteligência artificial (IA), reforçando seu papel como espaço de diálogo e ação econômica, em vez de uma aliança geopolítica rígida. As divergências sobre o Irã são apenas um reflexo do multialinhamento que define o bloco.

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