A China divulgou um vídeo oficial que sugere o desenvolvimento de um possível novo porta-aviões, que pode se tornar o quarto do país e o primeiro com propulsão nuclear. A peça audiovisual também reforça a estratégia de expansão marítima chinesa, em um momento de crescente tensão geopolítica no Indo-Pacífico. As informações são da Reuters.
O material foi divulgado na véspera do 77º aniversário da Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP) e inclui referências simbólicas aos três porta-aviões já em operação: Liaoning, Shandong e Fujian.
Intitulado “Into the Deep” (“Nas Profundezas”, em tradução literal), o vídeo apresenta um recruta fictício chamado “He Jian”, cuja nomenclatura gerou interpretações de que poderia ser uma alusão a um futuro navio de propulsão nuclear. O Ministério da Defesa chinês não comentou o conteúdo.

Atualmente, os três porta-aviões chineses são movidos por propulsão convencional e representam a base da projeção de poder naval de Beijing, que vem ampliando investimentos militares desde 2012, sob a liderança de Xi Jinping.
Além da demonstração de capacidade naval, o vídeo também traz elementos interpretados como mensagem política direcionada a Taiwan, território reivindicado por Beijing. Em uma das cenas, um diálogo entre pai e filho foi associado a uma metáfora sobre reunificação.
Paralelamente, o governo chinês reforçou sua política de controle e expansão sobre mais de 11 mil ilhas reivindicadas no Mar da China Oriental e no Mar da China Meridional, muitas delas em áreas de disputa internacional.
Nos últimos anos, a China acelerou a construção de ilhas artificiais, pistas de pouso e instalações militares em regiões contestadas, ampliando sua presença estratégica no Pacífico.
Segundo analistas de defesa, essas estruturas permitem patrulhas mais frequentes em áreas distantes da costa chinesa e aumentam a capacidade de projeção militar da Marinha.
A movimentação ocorre em meio à intensificação de exercícios militares de países como Estados Unidos, Filipinas e aliados na região, que buscam reforçar presença em uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, por onde passam trilhões de dólares em mercadorias anualmente.
Especialistas avaliam que, apesar da expansão chinesa, a capacidade de impedir ações de outros países na região tem encontrado limites práticos.