Cuba entre abertura e crise: o que mudou desde Barack Obama até Donald Trump

Uma década após a abertura histórica promovida pelo democrata, ilha enfrenta apagões, escassez e êxodo em massa sob políticas endurecidas pelo atual chefe da Casa Branca

Cuba vive hoje um dos momentos mais críticos de sua história recente. Dez anos depois da reaproximação diplomática iniciada por Barack Obama, o país mergulhou em uma crise econômica profunda, marcada por escassez de combustível, colapso de serviços básicos e uma onda migratória sem precedentes. As informações são do Los Angeles Times.

O cenário atual é resultado de uma combinação de fatores internos e externos, mas ganhou força após o endurecimento das sanções impostas por Donald Trump. De volta ao poder, Trump intensificou a política de “pressão máxima” contra Havana, incluindo um bloqueio quase total às exportações de petróleo, afetando diretamente o funcionamento da economia cubana.

Cena do cotidiano em Havana (Foto: WikiCommons)

O impacto é visível nas ruas de Havana. Com a escassez de combustível, o transporte público praticamente desapareceu, táxis sumiram e longas filas se tornaram rotina para itens básicos, como pão e medicamentos. Apagões frequentes deixaram bairros inteiros no escuro, evidenciando o colapso da infraestrutura energética.

O turismo, que já foi um dos pilares da economia local, entrou em queda acentuada. Após o fim do período de abertura iniciado por Obama, quando visitantes estrangeiros voltaram em massa à ilha, o setor sofreu com restrições de viagem, pandemia e, agora, a falta de combustível para aviação. Companhias aéreas internacionais passaram a suspender voos, agravando o isolamento.

Os efeitos sociais são igualmente dramáticos. Estima-se que mais de um milhão de cubanos tenham deixado o país nos últimos anos, em busca de melhores condições de vida. A saída em massa impacta diretamente a força de trabalho e acelera o envelhecimento da população, enquanto a taxa de natalidade despenca.

Para muitos jovens, o futuro fora da ilha parece ser a única alternativa. Profissionais qualificados enfrentam falta de oportunidades, baixos salários e serviços públicos sobrecarregados. Hospitais operam com escassez de insumos básicos, e pacientes aguardam meses, até anos, por cirurgias.

A responsabilidade pela crise divide opiniões. Críticos do governo cubano apontam falhas estruturais, como a falta de modernização econômica e dependência estatal. Já outros destacam o peso das sanções americanas, que dificultam o acesso a mercados internacionais, crédito e investimentos.

O governo dos Estados Unidos, por sua vez, mantém o discurso de que a pressão econômica visa forçar mudanças políticas no país, incluindo o enfraquecimento da liderança de Miguel Díaz-Canel. A estratégia, no entanto, é alvo de críticas internacionais, que a classificam como uma forma de punição coletiva à população cubana.

Enquanto isso, o cotidiano da ilha segue marcado pela adaptação. Famílias recorrem ao mercado informal para sobreviver, cozinham com carvão diante da falta de gás e convivem com a incerteza constante. A sensação predominante, segundo relatos locais, é de estagnação e perda de perspectiva.

O contraste com 2016 é inevitável. Naquele ano, a visita de Obama simbolizou uma possível reintegração de Cuba ao cenário global. Eventos históricos, como o show dos Rolling Stones em Havana, marcaram um período de abertura cultural e econômica.

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