Dados de voo indicam possível ação deliberada em queda de avião da China Eastern em 2022

Informações do NTSB apontam que interruptores de combustível foram desligados manualmente antes da queda. Investigação chinesa segue sem conclusão final

Um novo conjunto de dados sobre o acidente com o voo MU5735 da China Eastern Airlines, ocorrido em março de 2022, reforça a hipótese de que a queda pode ter sido provocada deliberadamente a partir da cabine de comando. As informações foram divulgadas pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) e indicam que os interruptores de combustível dos dois motores foram desligados manualmente durante o voo. As informações são da CNN.

A aeronave, um Boeing 737-800, caiu de uma altitude de cerca de 29 mil pés em uma área montanhosa da região de Guangxi, no sul da China, matando as 132 pessoas a bordo. O episódio se tornou o desastre aéreo mais mortal do país em décadas e, mais de quatro anos depois, ainda não teve sua causa oficialmente esclarecida pelas autoridades chinesas.

Acidente com o Boieng 737-800 foi o primeiro com um avião comercial na China desde 2010 (Foto: WikiCommons)

De acordo com o relatório técnico, os dados extraídos do gravador de voo mostram que os comandos responsáveis pelo fluxo de combustível passaram da posição de funcionamento para corte de forma simultânea. A mudança levou à perda de potência dos motores, sem indícios de tentativa de reativação.

Especialistas em segurança da aviação afirmam que, no modelo Boeing 737, esse tipo de ação exige intervenção manual deliberada, já que os interruptores precisam ser puxados antes de serem deslocados. A ausência de qualquer tentativa de reversão levanta dúvidas sobre a possibilidade de erro operacional.

Apesar disso, o material divulgado não é considerado um relatório final. Analistas ressaltam que ainda é necessário cruzar esses dados com outras evidências, como o conteúdo do gravador de voz da cabine e as condições gerais da aeronave no momento da queda.

A Administração de Aviação Civil da China (CAAC) já havia declarado anteriormente que não encontrou falhas mecânicas, problemas estruturais ou condições meteorológicas adversas que pudessem justificar o acidente. A autoridade também negou hipóteses de ação intencional.

Relatos publicados ainda em 2022 por veículos internacionais já apontavam para a possibilidade de interferência humana no acidente, com base em dados preliminares da investigação. À época, investigadores consideraram tanto a atuação do piloto quanto a eventual presença de outra pessoa na cabine.

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