A controversa queda de Nicolás Maduro gerou uma onda de esperança entre milhões de venezuelanos espalhados pelo mundo. Após a intervenção liderada pelos Estados Unidos que retirou o líder autoritário do poder, muitos imigrantes acreditaram que finalmente chegaria o momento de voltar para casa. No entanto, meses depois da intervenção, a maioria ainda permanece fora da Venezuela. As informações são do The New York Times.
Segundo dados das Nações Unidas, cerca de oito milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos 11 anos, transformando a crise migratória da Venezuela em uma das maiores do planeta. Embora alguns tenham migrado para os Estados Unidos e Europa, a maioria segue vivendo em países da América Latina, como Colômbia, Brasil, Peru, Chile e Argentina.

A expectativa de retorno ganhou força logo após a captura de Maduro. Em cidades como Buenos Aires, Santiago e Montevidéu, venezuelanos comemoraram nas ruas e nas redes sociais. Muitos passaram a discutir a possibilidade de reconstruir a vida no país de origem.
“Eu vou voltar”, repetiam migrantes venezuelanos em mercados, restaurantes e encontros familiares após a notícia da queda do regime.
Apesar da euforia inicial, a realidade econômica e política da Venezuela continua sendo um obstáculo para o retorno em massa.
Economia ainda preocupa
Mesmo após a saída de Nicolás Maduro, a Venezuela segue enfrentando graves problemas estruturais. A inflação continua alta, os salários permanecem baixos e serviços básicos como água e energia elétrica ainda apresentam falhas frequentes.
Além disso, organizações internacionais apontam que a estrutura política ligada ao antigo regime continua ativa, gerando insegurança entre opositores e exilados políticos.
Uma pesquisa da ONU realizada em fevereiro mostrou que apenas 9% dos venezuelanos entrevistados em países da América Latina pretendem retornar à Venezuela no próximo ano.
Para muitos migrantes, a mudança no comando do país não foi suficiente para garantir estabilidade.
Venezuelanos reconstruíram a vida fora do país
Outro fator que dificulta o retorno é o fato de milhões de venezuelanos já terem reconstruído suas vidas no exterior.
Em cidades como Buenos Aires e Santiago, comunidades venezuelanas cresceram nos últimos anos, impulsionando negócios, restaurantes e novos empreendimentos.
Muitos trabalham no setor informal, especialmente em aplicativos de entrega e serviços autônomos. Outros conseguiram estabilizar a vida financeira e priorizam o futuro dos filhos fora da Venezuela.
“Quero dar uma educação melhor para minha filha. Por isso, fico”, afirmou uma venezuelana que vive atualmente na Argentina.
Especialistas apontam que o retorno em massa dependerá não apenas de mudanças políticas, mas também da recuperação econômica do país e da garantia de segurança para a população.
Intervenção dos EUA divide opiniões
A atuação dos Estados Unidos também gerou controvérsia entre venezuelanos.
Embora parte da população tenha comemorado a retirada de Maduro, muitos criticam o fato de Washington ter mantido alianças com integrantes do antigo governo para garantir acordos ligados ao petróleo e recursos naturais da Venezuela.
A decisão da Casa Branca de reconhecer Delcy Rodríguez como nova presidente também provocou frustração entre opositores.
Para muitos exilados, a expectativa era de uma transição democrática mais rápida e profunda.
Crise migratória continua
Mesmo após a mudança no comando do país, organizações internacionais afirmam que ainda não houve aumento significativo no número de venezuelanos retornando ao país.
A tendência, segundo especialistas, é que o fluxo migratório continue dependendo da capacidade da Venezuela de oferecer estabilidade econômica, empregos, segurança e serviços básicos.
Enquanto isso, milhões de venezuelanos seguem tentando construir a vida longe de casa, divididos entre a esperança de voltar e o medo de encontrar o país ainda mergulhado em crise.