Mistério nuclear no mar: navio russo afundado pode ter transportado reatores secretos para a Coreia do Norte

Reportagem aponta que o cargueiro russo Ursa Major levava possíveis componentes nucleares destinados à Coreia do Norte antes de afundar próximo à costa da Espanha

Um cargueiro russo afundado no Mediterrâneo pode estar no centro de uma das mais delicadas operações militares e nucleares dos últimos anos. Segundo uma investigação divulgada pela CNN, o navio Ursa Major, também conhecido como Sparta 3, provavelmente transportava componentes de reatores nucleares destinados à Coreia do Norte quando naufragou próximo à costa da Espanha, em dezembro de 2024. As informações são da NDTV.

A embarcação partiu do porto de Ust-Luga, na Rússia, oficialmente carregando “tampas de escotilha”, contêineres vazios e guindastes industriais. Porém, autoridades marítimas espanholas consideraram a justificativa improvável, levantando suspeitas de que a carga real envolvia tecnologia nuclear sensível.

O caso ganhou dimensão internacional após investigadores espanhóis apontarem que o cargueiro poderia estar levando peças de reatores nucleares semelhantes aos utilizados em submarinos militares russos. A carga teria como destino final o porto norte-coreano de Rason.

Ursa Major em registro de 2016 (Foto: WikiCommons)
Capitão teria confessado transporte nuclear

Após o naufrágio, sobreviventes foram resgatados e levados para Cartagena, na Espanha. Durante os interrogatórios, o capitão russo Igor Anisimov teria admitido que os objetos descritos como “tampas” eram, na verdade, componentes de dois reatores nucleares utilizados em submarinos.

Segundo documentos divulgados pelo governo espanhol, o capitão afirmou que os equipamentos não continham combustível nuclear, embora isso não tenha sido confirmado oficialmente.

Suspeita de ataque militar

O Ursa Major afundou após uma sequência de explosões registradas perto da casa de máquinas. Dois tripulantes morreram. Investigadores encontraram um buraco no casco compatível com impacto externo, aumentando suspeitas de sabotagem ou ataque militar.

A investigação espanhola mencionou a possibilidade de uso de um torpedo supercavitante Barracuda, arma de alta velocidade capaz de perfurar embarcações sem explosão convencional. O armamento é considerado extremamente raro e estaria restrito a poucas potências militares.

Além disso, sensores sísmicos da Espanha registraram novas explosões na região após o navio já estar danificado.

Navios militares russos e aeronaves dos EUA entraram na área

O mistério aumentou ainda mais após navios militares russos permanecerem próximos ao local do naufrágio. Dias depois, o navio russo Yantar, frequentemente associado a operações de espionagem naval, também foi detectado na região.

Segundo a investigação, uma aeronave militar WC-135R dos Estados Unidos, especializada em detecção de material nuclear, realizou voos sobre a área meses depois do incidente.

Apesar disso, autoridades espanholas afirmaram que não houve qualquer sinal de contaminação radioativa na costa do país.

Coreia do Norte

O caso ocorre em meio ao fortalecimento da aliança militar entre Rússia e Coreia do Norte. Em 2025, o governo norte-coreano divulgou imagens do que chamou de seu primeiro submarino de propulsão nuclear, acompanhado pelo líder Kim Jong-un.

Especialistas acreditam que a suposta transferência de tecnologia nuclear naval russa representaria uma escalada significativa nas capacidades militares de Pyongyang.

Mike Plunkett, analista da Janes, afirmou à CNN que uma transferência desse tipo “só aconteceria entre aliados extremamente próximos” e poderia alterar o equilíbrio estratégico na Ásia.

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