A crise política em Israel ganhou novos contornos nesta semana e pode levar à queda do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O motivo central da tensão é o impasse envolvendo o recrutamento militar obrigatório de judeus ultraortodoxos, tema que há décadas divide a sociedade israelense. As informações são da NPR.
A coalizão governista de Netanyahu entrou em alerta após o partido ultraortodoxo Degel HaTorah, integrante da base de apoio do governo, defender publicamente a dissolução do Parlamento israelense. A legenda acusa Netanyahu de não cumprir promessas relacionadas à criação de uma lei que isentaria estudantes religiosos do serviço militar.

Segundo informações divulgadas pelo jornal israelense Haaretz, Netanyahu teria comunicado a líderes ultraortodoxos que não pretende avançar com a legislação neste momento, sugerindo que o tema seja tratado apenas após novas eleições.
A declaração gerou forte reação dentro da própria coalizão. “Não confiamos mais em Netanyahu”, afirmou o Degel HaTorah em comunicado oficial.
Guerra em Gaza aumenta pressão sobre governo
O debate sobre o recrutamento militar se intensificou desde o início da guerra em Gaza. Com a necessidade de ampliar o número de soldados, aumentou também a pressão política e social para que a comunidade ultraortodoxa participe das Forças Armadas israelenses.
Historicamente, Israel concede isenção militar a homens e mulheres jovens da comunidade ultraortodoxa para que possam se dedicar aos estudos religiosos em tempo integral. No entanto, a medida passou a ser alvo de críticas de setores da sociedade israelense, que defendem igualdade no serviço obrigatório.
Em 2025, a Suprema Corte israelense determinou que o governo passasse a recrutar cidadãos ultraortodoxos, ampliando a crise entre Netanyahu e seus aliados religiosos.
Eleições antecipadas podem acontecer em Israel
Uma votação para dissolver o Parlamento foi marcada para a próxima semana. Caso seja aprovada, Israel poderá convocar eleições antecipadas já para setembro.
Pela legislação israelense, o país precisa realizar eleições até 27 de outubro de 2026.
O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett aparece como favorito nas pesquisas de intenção de voto. Bennett deve formar uma aliança com o líder oposicionista Yair Lapid para tentar derrotar Netanyahu.
Mesmo em caso de dissolução do Parlamento, Netanyahu permaneceria no cargo de primeiro-ministro interino até a formação de um novo governo.