O número de execuções no mundo atingiu em 2025 o maior patamar registrado em 44 anos, segundo relatório divulgado pela Anistia Internacional nesta segunda-feira (18) O documento “Sentenças de Morte e Execuções 2025” aponta que 2.707 pessoas foram executadas em 17 países ao longo do último ano, representando um aumento de 78% em relação a 2024.
De acordo com a organização, o crescimento foi impulsionado principalmente por governos que utilizam a pena de morte como instrumento de repressão e controle social. O Irã liderou o ranking global, com pelo menos 2.159 execuções registradas, mais que o dobro do número do ano anterior. A Arábia Saudita também ampliou drasticamente o uso da pena capital, chegando a pelo menos 356 execuções, muitas delas relacionadas a crimes ligados ao tráfico de drogas.

O relatório ainda mostra aumento significativo das execuções nos Estados Unidos, que passaram de 25 para 47 casos em um ano. Kuwait, Egito e Singapura também registraram crescimento expressivo. Apesar disso, a Anistia Internacional destaca que os países que mantêm execuções continuam sendo uma minoria no cenário internacional.
A organização afirma que China, Irã, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Iraque, Somália, Vietnã, Iêmen, Egito e Estados Unidos seguem entre os países que mais aplicam a pena de morte no mundo. O levantamento ressalta que os dados chineses não são divulgados oficialmente, mas a entidade acredita que milhares de execuções continuem ocorrendo no país asiático.
Outro ponto destacado no relatório é o avanço de políticas mais rígidas na chamada “guerra às drogas”. Quase metade das execuções registradas em 2025 ocorreu por crimes relacionados ao tráfico de drogas. Para a Anistia Internacional, esse movimento representa um retrocesso nos direitos humanos e amplia o uso da pena capital contra populações vulneráveis e marginalizadas.
Apesar do aumento global, o relatório também aponta avanços em alguns países. O Vietnã aboliu a pena de morte para oito crimes, incluindo tráfico de drogas e corrupção. A Gâmbia retirou a pena capital para crimes como assassinato e traição, enquanto projetos para abolir a prática avançaram no Líbano e na Nigéria.
Segundo a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, a tendência global ainda aponta para a abolição da pena de morte. Atualmente, 113 países já aboliram oficialmente a prática, enquanto mais de dois terços do mundo são considerados abolicionistas na lei ou na prática.