A República Democrática do Congo voltou a enfrentar um novo surto de Ebola após autoridades de saúde confirmarem 65 mortes e 246 casos suspeitos da doença na província de Ituri, no leste do país africano. O alerta foi divulgado nesta sexta-feira (15) pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), que monitora o avanço da infecção na região. As informações são da Associated Press.
Segundo o órgão, os casos foram registrados principalmente nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara. Casos suspeitos também foram identificados em Bunia, capital da província de Ituri, próxima à fronteira com Uganda, aumentando a preocupação com uma possível disseminação internacional do vírus.

Resultados laboratoriais preliminares detectaram o vírus Ebola em 13 das 20 amostras analisadas. As autoridades informaram que a cepa identificada pode ser diferente da Ebola Zaire, variante predominante nos surtos anteriores registrados no Congo. O sequenciamento genético segue em andamento para confirmar a linhagem do vírus.
O Ebola é uma doença altamente contagiosa transmitida por fluidos corporais, como sangue, vômito e secreções. A enfermidade possui alta taxa de mortalidade e frequentemente provoca emergências sanitárias em regiões com estrutura de saúde limitada.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o Congo possui cerca de 2 mil doses da vacina Ervebo, utilizada contra a cepa Ebola Zaire. No entanto, especialistas avaliam que a eficácia do imunizante pode variar caso a nova cepa seja confirmada.
O novo surto ocorre apenas cinco meses após o encerramento oficial do último episódio de Ebola no país, que deixou 43 mortos. Este já é o 17º surto registrado no Congo desde 1976, ano em que a doença foi identificada pela primeira vez.
Além da crise sanitária, o leste do Congo enfrenta instabilidade provocada por grupos armados, como o M23 e as Forças Democráticas Aliadas (ADF), ligadas ao Estado Islâmico (EI). A insegurança dificulta o acesso das equipes médicas e compromete ações de controle, vacinação e rastreamento de contatos.
O Africa CDC também demonstrou preocupação com a intensa movimentação populacional nas áreas de mineração de Mongwalu e com a proximidade das regiões afetadas com Uganda e Sudão do Sul. Uma reunião emergencial entre autoridades de saúde africanas e organismos internacionais foi convocada para discutir medidas de contenção.
Especialistas afirmam que o Congo possui experiência acumulada no combate ao Ebola, mas alertam para a necessidade de rápida mobilização internacional para evitar uma nova crise sanitária de grandes proporções.