As doenças infecciosas estão se tornando mais frequentes, mais perigosas e mais difíceis de controlar em diferentes partes do mundo. O alerta foi feito pelo Conselho Global de Monitoramento da Preparação (GPMB), grupo criado pelo Banco Mundial e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que divulgou nesta segunda-feira (18) um relatório apontando que o planeta segue vulnerável a novas pandemias, mesmo após os impactos da Covid-19. As informações são do The Guardian.
Segundo o documento, surtos de doenças como Ebola, hantavírus e mpox estão sendo agravados por fatores como mudanças climáticas, guerras, instabilidade política e desigualdade no acesso a vacinas e tratamentos. O relatório afirma que o risco de pandemia está crescendo mais rápido do que os investimentos globais em preparação sanitária.

A preocupação internacional aumentou após a declaração de emergência de saúde pública internacional relacionada ao novo surto de Ebola na República Democrática do Congo, que já provocou ao menos 87 mortes. Ao mesmo tempo, autoridades acompanham o avanço de casos de hantavírus registrados em um navio de cruzeiro na Espanha.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que os novos surtos representam apenas os exemplos mais recentes de um cenário global cada vez mais instável. Equipes da OMS, do Comitê Internacional de Resgate e da Médicos Sem Fronteiras atuam no combate ao avanço do Ebola na África.
O relatório também destaca que os avanços científicos conquistados após a pandemia de Covid-19, como as vacinas de mRNA desenvolvidas por empresas como a BioNTech, não foram suficientes para garantir acesso rápido e igualitário aos países mais pobres. Durante surtos recentes de mpox, por exemplo, vacinas levaram quase dois anos para chegar às regiões africanas afetadas.
Outro ponto levantado pelo GPMB é o impacto político e social das crises sanitárias. Segundo os especialistas, os surtos recentes enfraqueceram a confiança pública em governos, instituições científicas e sistemas democráticos, cenário agravado pela desinformação e pela politização das respostas de saúde pública.
O grupo defende que os países acelerem negociações para um tratado global de combate a pandemias, criem mecanismos permanentes de monitoramento de riscos e ampliem os investimentos em vigilância epidemiológica, pesquisa e resposta rápida a emergências sanitárias.
Especialistas alertam que, sem cooperação internacional e preparação adequada, o mundo poderá enfrentar novas pandemias ainda mais severas nos próximos anos.