Vigilância, drones e fronteiras fechadas: apenas 81 tibetanos conseguiram escapar nos últimos anos

Número de tibetanos que conseguem fugir do Tibete caiu drasticamente nas últimas décadas, enquanto Beijing amplia vigilância, controle de fronteiras e influência sobre o Nepal

O número de tibetanos que conseguem deixar o Tibete e buscar exílio em países vizinhos caiu drasticamente nos últimos anos, em meio ao fortalecimento do controle chinês sobre a região. Dados divulgados pela Administração Central Tibetana, sediada em Dharamsala, na Índia, mostram que apenas 81 tibetanos conseguiram chegar ao exílio nos últimos cinco anos, um contraste expressivo em relação ao período entre 1995 e 1999, quando mais de 12 mil pessoas deixaram o território. As informações são da Deutsche Welle.

Especialistas e membros da comunidade tibetana afirmam que o endurecimento da vigilância, o reforço no policiamento das fronteiras e o avanço das tecnologias de monitoramento tornaram praticamente impossível a fuga de tibetanos comuns. O movimento ocorre paralelamente ao fortalecimento das políticas chinesas de integração cultural e desenvolvimento econômico na região.

Um peregrino tibetano praticando Kora (Foto: WikiCommons)

A queda no número de refugiados também preocupa lideranças tibetanas no exílio, que veem os recém-chegados como fundamentais para manter vivas tradições culturais, religiosas e linguísticas.

Segundo relatos de tibetanos que conseguiram escapar nos últimos anos, a China ampliou significativamente o controle sobre aldeias, mosteiros e rotas de travessia desde os protestos de 2008, que antecederam os Jogos Olímpicos de Beijing. Na época, manifestações em larga escala foram reprimidas pelas autoridades chinesas, marcando o início de uma nova fase de vigilância no Tibete.

Além do controle interno, outro fator apontado como decisivo para a queda no número de exilados é a aproximação política entre China e Nepal. Historicamente, o território nepalês servia como principal rota de passagem para tibetanos que buscavam chegar à Índia. Porém, nos últimos anos, Katmandu passou a reforçar o monitoramento da fronteira, ampliando a cooperação de segurança com Beijing.

Organizações internacionais de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, relatam aumento das restrições à circulação, à atividade religiosa e à liberdade de comunicação em regiões tibetanas.

Enquanto isso, o governo chinês sustenta que os investimentos em infraestrutura, urbanização e serviços públicos melhoraram a qualidade de vida no Tibete e reduziram a necessidade de migração. Beijing também afirma que suas políticas garantem estabilidade e desenvolvimento econômico para a população local.

A situação gera preocupação sobre o futuro da identidade cultural tibetana, especialmente diante da idade avançada do 14º Dalai Lama e das discussões sobre sua sucessão. Para integrantes da comunidade tibetana no exílio, o desafio agora é manter a conexão cultural com as novas gerações que cresceram sob uma realidade completamente diferente dentro do Tibete.

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