Rússia e Belarus iniciam exercícios nucleares conjuntos em meio à escalada de tensões com a Otan

Treinamentos militares envolvem armas nucleares táticas, sistema hipersônico Oreshnik e ocorrem em meio ao colapso do tratado New START e ao aumento da tensão no Leste Europeu

A Rússia e Belarus iniciaram nesta segunda-feira (18) uma série de exercícios militares conjuntos voltados ao uso de armas nucleares táticas, ampliando ainda mais o clima de tensão no cenário internacional em meio à guerra na Ucrânia e ao enfraquecimento dos acordos globais de controle nuclear. As informações são do The Moscow Times.

Segundo o Ministério da Defesa de Belarus, os treinamentos têm como objetivo testar a capacidade operacional das forças armadas para deslocar, posicionar e utilizar armamentos nucleares a partir de locais não planejados previamente. As manobras envolvem unidades de mísseis, destacamentos da força aérea e integração direta com tropas russas.

Bandeiras de Rússia (esq.) e Belarus lado a lado: aliados (Foto: facebook.com/mod.mil.rus)

O exercício marca a primeira grande operação militar do tipo desde que Moscou instalou o sistema de mísseis hipersônicos Oreshnik em território belarusso, no fim de 2025. O armamento possui capacidade nuclear e é tratado pelo Kremlin como uma das principais apostas estratégicas da nova geração militar russa.

Em comunicado oficial, o governo belarusso afirmou que os exercícios incluem “medidas de ocultação, deslocamentos de longa distância e cálculos de emprego de forças e recursos”. O país também declarou que a operação “não é direcionada contra terceiros” e não representa ameaça à segurança regional.

O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, vem elevando o tom nas últimas semanas ao afirmar que o país enfrenta riscos crescentes vindos de nações vizinhas integrantes da Otan. Recentemente, Lukashenko anunciou uma “mobilização direcionada” das forças internas e afirmou que o país se prepara para um possível conflito militar.

As movimentações também aumentaram a preocupação da Ucrânia. Kiev determinou o envio de reforços para a fronteira norte com Belarus após denúncias de que a Rússia estaria preparando uma nova ofensiva militar a partir da região.

Os exercícios acontecem em um momento delicado para a segurança internacional. O colapso do tratado New START, firmado entre Estados Unidos e Rússia para limitar arsenais nucleares estratégicos, eliminou os últimos mecanismos formais de controle entre as duas maiores potências nucleares do planeta.

Desde o início da guerra na Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, tem intensificado discursos e demonstrações de força envolvendo armas nucleares como forma de pressionar países ocidentais a reduzirem o apoio militar a Kiev.

Na última semana, Moscou também afirmou ter realizado com sucesso um novo teste do míssil balístico intercontinental Sarmat, considerado um dos armamentos nucleares mais poderosos já desenvolvidos pela Rússia. O Kremlin pretende colocar o sistema em operação definitiva até o fim de 2026.

A dependência de Moscou

Desde a fraude eleitoral de 2020, Lukashenko tornou-se ainda mais dependente do Kremlin. Segundo analistas, a ajuda russa não se limitou a suporte militar e econômico, mas também envolveu a manipulação midiática e o envio de estrategistas para garantir a continuidade do regime. Em contrapartida, Belarus cedeu seu território como base para a invasão russa da Ucrânia em 2022 e se alinhou completamente às políticas do Kremlin.

O tratado de união entre os dois países, firmado em 1999, consolidou vínculos econômicos e militares que, ao longo dos anos, foram aprofundados por Putin. Especialistas descrevem esse processo como uma “anexão progressiva”, com Moscou exercendo influência direta em quase todos os aspectos da política e economia bielorrussa.

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