Putin mobiliza submarinos e mísseis em gigantesca operação nuclear no Ártico

Manobras militares da Rússia no Ártico mobilizam milhares de soldados, submarinos e sistemas de mísseis em meio à guerra na Ucrânia e ao avanço da Otan no norte da Europa

Os novos exercícios nucleares estratégicos da Rússia no Ártico voltaram a ampliar as tensões entre Moscou e o Ocidente e reacenderam o debate sobre a militarização da região polar. As operações, consideradas uma das maiores demonstrações militares russas desde o fim da União Soviética, ocorrem entre os dias 19 e 21 de maio e envolvem mais de 64 mil soldados, submarinos nucleares, bombardeiros estratégicos e centenas de sistemas de mísseis. As informações são da Eurasia Review.

As manobras acontecem em um cenário de forte deterioração das relações entre Rússia e Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), agravado pela guerra na Ucrânia e pela recente entrada de Finlândia e Suécia na aliança militar ocidental. Analistas internacionais avaliam que o Ártico deixou de ser apenas uma área de cooperação científica e passou a ocupar posição central na nova disputa global por influência estratégica, recursos naturais e rotas marítimas.

Soldados da Brigada Ártica Russa durante exercícios militares (Foto: WikiCommons)

Segundo autoridades russas, os exercícios têm caráter defensivo e servem para testar a prontidão das forças nucleares diante do que Moscou considera uma crescente pressão militar da Otan perto de suas fronteiras. O governo de Vladimir Putin afirma que a expansão da aliança no norte europeu alterou o equilíbrio de segurança na região.

A operação mobiliza a Frota do Norte, as Forças de Mísseis Estratégicos e unidades da Frota do Pacífico. Entre os destaques está o lançamento de um míssil balístico Sineva por um submarino nuclear russo no Mar de Barents, próximo à Península de Kola, área considerada estratégica para a capacidade de dissuasão nuclear marítima da Rússia.

A Ucrânia criticou duramente os exercícios e voltou a acusar Moscou de utilizar sua capacidade nuclear como instrumento de intimidação política e militar. Kiev também demonstrou preocupação com o deslocamento de armas nucleares táticas russas para Belarus e com os exercícios conjuntos realizados entre os dois países.

Governos ocidentais acompanham os movimentos russos com atenção crescente. Países da Otan consideram que o fortalecimento da infraestrutura militar russa no Ártico, incluindo bases, sistemas antimísseis, aeródromos e patrulhas submarinas, representa uma preparação estratégica de longo prazo.

Além da disputa militar, o Ártico se tornou uma região estratégica devido às mudanças climáticas e ao derretimento do gelo polar. O fenômeno vem abrindo novas rotas comerciais e ampliando o acesso a reservas de petróleo, gás natural, minerais raros e recursos pesqueiros. Estimativas internacionais apontam que a região pode concentrar cerca de 13% do petróleo ainda não descoberto do planeta e quase 30% das reservas globais de gás natural.

A China também passou a ampliar sua presença no Ártico nos últimos anos, investindo em infraestrutura, pesquisa científica e projetos energéticos. Beijing se define como um “Estado próximo ao Ártico” e fortaleceu a cooperação com Moscou após o endurecimento das sanções ocidentais contra a Rússia.

Outro fator que voltou a chamar atenção internacional foi a retomada das declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia. O interesse estratégico pela ilha reforçou a percepção de que o Ártico se transformou em uma das áreas mais sensíveis da geopolítica mundial.

Especialistas alertam que a combinação entre presença militar crescente, disputas energéticas, rivalidade tecnológica e ausência de mecanismos diplomáticos sólidos aumenta o risco de crises e erros de cálculo na região. O Conselho do Ártico, criado para estimular cooperação entre os países do extremo norte, perdeu força desde o início da guerra na Ucrânia.

Com o avanço da militarização e o aumento da competição entre potências, o Ártico passa a ser visto como uma das principais fronteiras estratégicas do século XXI.

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