Islândia lidera e Rússia amarga o fim da lista: os países mais seguros e mais perigosos de 2026

Índice Global da Paz aponta queda da segurança global, mas destaca países com altos níveis de estabilidade, baixa criminalidade e instituições fortes

A Islândia foi novamente considerada o país mais pacífico do mundo, segundo a edição de 2026 do Índice Global da Paz (Global Peace Index – GPI), divulgado pelo Instituto para Economia e Paz (IEP). O levantamento avalia os níveis de paz, segurança e estabilidade em 163 países e territórios, utilizando 23 indicadores relacionados a conflitos, segurança interna e militarização.

Pelo 19º ano consecutivo, a Islândia ocupa o primeiro lugar do ranking. O país se destaca pela ausência de forças armadas permanentes, baixos índices de criminalidade e elevada confiança da população nas instituições públicas.

Completam o grupo dos cinco países mais pacíficos do mundo em 2026 a Nova Zelândia, a Suíça, a Eslovênia e a Irlanda. O ranking evidencia a predominância de países europeus entre os destinos mais seguros do planeta, além da presença de democracias consolidadas da região Ásia-Pacífico.

Lago Tjörnin, no coração de Reykjavik, capital da Islândia. Cercado por áreas verdes e edifícios históricos, o cartão-postal é um dos símbolos da cidade (Foto: WikiCommons)

De acordo com Steve Killelea, fundador e presidente executivo do Instituto para Economia e Paz, os países melhor posicionados compartilham características como forte Estado de Direito, baixa corrupção, instituições eficientes e altos níveis de coesão social.

“Esses países apresentam governança sólida, livre fluxo de informações, boas relações com os vizinhos e inclusão social. São fatores estruturais que ajudam a manter a estabilidade mesmo em períodos de incerteza global”, afirmou.

Os 10 países mais pacíficos do mundo em 2026
  1. Islândia
  2. Nova Zelândia
  3. Suíça
  4. Eslovênia
  5. Irlanda
  6. Áustria
  7. Portugal
  8. Cingapura
  9. Finlândia
  10. Japão
Polônia registra maior avanço no ranking

Entre os destaques positivos do levantamento está a Polônia, que subiu 23 posições em relação ao ano anterior e alcançou o 22º lugar geral, registrando a maior evolução entre todos os países analisados.

Outro destaque foi Maurício, país insular localizado no Oceano Índico, que avançou 11 posições e passou a ocupar a 18ª colocação no ranking global.

Por outro lado, o Nepal registrou a maior queda em 2026, recuando 26 posições, possivelmente após os Protestos contra corrupção que incendiaram Katmandu e derrubaram o premiê no ano passado. Segundo o relatório, o Sul da Ásia foi a região que apresentou a maior deterioração nos níveis de paz ao longo do último ano.

Paz global atinge pior nível da série histórica

Embora alguns países tenham apresentado avanços, o relatório aponta um cenário preocupante para a segurança internacional. A edição de 2026 indica que a paz global atingiu seu menor nível desde o início da série histórica do índice.

Segundo o estudo, 99 países registraram deterioração em seus indicadores de paz no último ano, o maior número já registrado. Além disso, 119 países, o equivalente a 73% do mundo, estão menos pacíficos hoje do que estavam quando o índice foi publicado pela primeira vez, em 2007.

O levantamento também mostra que o número de países envolvidos em conflitos externos quase dobrou nas últimas duas décadas, passando de 59 em 2008 para 103 em 2026.

Os impactos econômicos da violência continuam elevados. Em 2025, o custo global associado à violência foi estimado em US$ 21,81 trilhões, valor equivalente a 10,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Outro fator que preocupa especialistas é o crescimento do uso de drones em conflitos armados. Os ataques com esse tipo de tecnologia aumentaram mais de 11.000% entre 2018 e 2025, impulsionados pelos avanços da inteligência artificial e pela rápida transformação das estratégias militares.

Países menos pacíficos do mundo

Na outra ponta do ranking, os países com os piores indicadores de paz em 2026 são:

• Rússia
• Sudão
• República Democrática do Congo
• Ucrânia
• Israel

O relatório aponta que guerras em andamento e crises humanitárias continuam sendo os principais fatores para a deterioração dos índices nesses países.

Para os especialistas do Instituto para Economia e Paz, os resultados reforçam que estabilidade, segurança e prosperidade dependem menos de fatores geográficos e mais da capacidade dos países de fortalecer instituições, combater a corrupção e promover a inclusão social.

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