Sem empregos, famílias afegãs dependem de parentes no exterior para sobreviver

Com desemprego elevado, inflação crescente e poucas oportunidades de trabalho, milhões de afegãos dependem de dinheiro enviado por familiares expatriados para garantir alimentação e medicamentos

As remessas enviadas por afegãos que vivem no exterior se tornaram uma das principais fontes de renda para milhões de famílias no Afeganistão. Em meio ao desemprego elevado, à inflação persistente e à escassez de oportunidades econômicas, o dinheiro enviado por parentes expatriados tem garantido a sobrevivência de grande parte da população. As informações são do Radio Free Europe.

Cinco anos após a retomada do poder pelo Taleban em 2021, a economia afegã ainda enfrenta dificuldades profundas. A redução dos investimentos internacionais, a queda da atividade econômica e o aumento do custo de vida colocaram milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Família afegã que recebeu abrigo no Brasil (Foto: ACNUR/Vanessa Beltrame)

Segundo relatos à reportagem, muitas famílias dependem integralmente das remessas do exterior para pagar despesas básicas, como alimentação, medicamentos e educação dos filhos. Em diversas províncias do país, moradores apontam a falta de empregos como o principal desafio enfrentado atualmente.

A inflação também tem pressionado o orçamento das famílias afegãs. Dados citados pela reportagem mostram que a inflação anual alcançou 8% em maio, enquanto os preços dos alimentos registraram alta de 8,2% no mesmo período. O aumento dos custos reduz ainda mais o poder de compra da população.

Especialistas afirmam que o volume de remessas ao Afeganistão cresceu significativamente nos últimos anos. De acordo com Azarakhsh Hafizi, ex-presidente da Câmara de Comércio do Afeganistão, os valores enviados por afegãos que vivem no exterior passaram de cerca de US$ 1 bilhão anuais para algo entre US$ 2,7 bilhões e US$ 3,5 bilhões por ano.

Grande parte desses recursos chega ao país por meio do sistema Hawala, uma rede informal de transferência financeira amplamente utilizada na região. Por operar fora do sistema bancário tradicional, o mecanismo dificulta a obtenção de dados oficiais sobre o total de remessas recebidas pelo Afeganistão.

Além da crise econômica, o país enfrenta uma grave crise humanitária. As restrições impostas pelo Taleban às mulheres reduziram a participação feminina no mercado de trabalho, afetando diretamente a renda de milhares de famílias. Ao mesmo tempo, milhões de afegãos retornaram ao país após deixarem o Irã e o Paquistão, ampliando a pressão sobre uma economia já fragilizada.

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que a taxa de desemprego no Afeganistão permaneceu em 13,35% em 2025, uma das mais altas do mundo. Diante desse cenário, as remessas enviadas por familiares no exterior continuam sendo fundamentais para garantir a subsistência de milhões de pessoas.

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