Férias no exterior viram luxo para russos em meio à guerra e à crise econômica

Restrições de viagem, aumento dos custos e ataques de drones mudam os hábitos de turismo na Rússia, enquanto milhões deixam de considerar viagens internacionais

As férias no exterior, antes comuns para parte da classe média russa, tornaram-se um objetivo cada vez mais distante para milhões de cidadãos. O aumento dos custos, as restrições impostas após a guerra na Ucrânia e a instabilidade econômica estão mudando profundamente a forma como os russos planejam seus períodos de descanso. As informações são do The Moscow Times.

Enquanto moradores de grandes centros urbanos, como Moscou e São Petersburgo, ainda conseguem organizar viagens internacionais, embora enfrentando mais obstáculos, grande parte da população passou a depender do turismo doméstico ou simplesmente abandonou os planos de viajar.

Vista do pôr do sol em Anapa, cidade turística da costa russa do Mar Negro (Foto: WikiCommons)
Europa distante

Antes da invasão da Ucrânia, turistas russos podiam chegar facilmente a diversas cidades europeias por meio de voos diretos. Hoje, as viagens exigem escalas adicionais, custos mais elevados e enfrentam obstáculos relacionados a vistos e sistemas de pagamento internacionais.

A saída de empresas ocidentais do mercado russo também dificultou o planejamento das férias. Plataformas de hospedagem e companhias aéreas internacionais deixaram de operar no país, obrigando viajantes a buscar alternativas mais limitadas.

Apesar das dificuldades, destinos tradicionais continuam despertando interesse entre os russos. No entanto, especialistas do setor apontam que visitar cidades como Roma, Madri ou Paris tornou-se uma operação muito mais complexa do que antes.

Novos destinos

Com a Europa menos acessível, muitos turistas passaram a buscar alternativas na Ásia e na África. A ampliação das facilidades de entrada em alguns países impulsionou o interesse por destinos como China, Vietnã, Tailândia, Camboja e Tanzânia.

Operadoras de turismo registram aumento na procura por esses mercados, que oferecem menos barreiras burocráticas e preços considerados mais competitivos em comparação com rotas tradicionais para a Europa.

A mudança acompanha uma tendência mais ampla da política externa russa, que tem intensificado suas relações econômicas e comerciais com países asiáticos nos últimos anos.

Turismo doméstico

Para grande parte da população, viajar para fora do país tornou-se financeiramente inviável. Em diversas regiões russas, trabalhadores relatam que os salários mal cobrem despesas básicas, tornando difícil reservar recursos para férias.

Nessas circunstâncias, cidades do interior, destinos regionais e viagens de curta duração tornaram-se as principais opções para quem ainda consegue se deslocar durante o verão.

Mesmo o turismo doméstico, porém, enfrenta desafios. O aumento dos preços de hospedagem, transporte e alimentação reduziu o número de viagens em diferentes partes do país.

Crimeia perde turistas

Tradicional destino de verão dos russos, a Crimeia enfrenta uma forte queda na atividade turística. O território anexado por Moscou vem sofrendo impactos de problemas logísticos, restrições de transporte e preocupações relacionadas à segurança.

Ataques ucranianos contra infraestrutura estratégica agravaram dificuldades de abastecimento e dificultaram o acesso à península. Com aeroportos fechados e serviços ferroviários reduzidos, muitos turistas optaram por cancelar suas viagens.

O governo russo anunciou recursos adicionais para apoiar o setor turístico local, mas empresários continuam relatando prejuízos e redução no número de visitantes.

Drones afetam escolhas

A presença constante de drones e os alertas de segurança em regiões próximas ao conflito passaram a influenciar diretamente as decisões dos turistas.

Alguns russos afirmam evitar destinos localizados no sul do país por receio de incidentes relacionados à guerra. O fator segurança tornou-se um elemento importante na escolha dos roteiros de férias.

Ao mesmo tempo, muitos cidadãos dizem que o principal obstáculo continua sendo financeiro. O aumento das passagens e dos custos gerais de viagem pesa mais do que qualquer outro fator para famílias de renda média e baixa.

Menos viagens

Dados do setor turístico apontam queda nas reservas de hotéis e aumento dos cancelamentos em diversas regiões da Rússia. Destinos tradicionalmente populares registram movimento inferior ao observado em anos anteriores.

Até mesmo atrações famosas, como o Lago Baikal, na Sibéria, enfrentam redução no número de visitantes, reflexo do encarecimento das viagens e da perda do poder de compra da população.

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