Ao menos 51 civis são mortos no Mali em ataques atribuídos a grupos extremistas

Região central do país, na fronteira com o Níger, é cenário de combates de forças aliadas contra insurgentes ligados a Estado Islâmico e Al Qaeda

Pelo menos 51 pessoas foram assassinadas no domingo (8) no norte do Mali durante ataques extremistas contra três localidades perto da fronteira com o Níger, informaram autoridades militares. A notícia é do portal VOA News (Voice of America).

As cidades de Ouatagouna, Karou e Deouteguef foram atacadas simultaneamente no fim da tarde, na região de Gao. Os agressores chegaram de motocicleta e pegaram a população de surpresa. Casas foram saqueadas e incendiadas, e o gado foi levado.

Nenhum grupo assumiu responsabilidade pela ofensiva coordenada, em uma área onde tropas do Mali, apoiadas por forças francesas, europeias e de manutenção da paz da ONU (Organização das Nações Unidas), têm lutado contra insurgentes ligados ao Estado Islâmico (EI) e à Al Qaeda.

Soldados franceses da Operação Barkhane – missão anti-insurgente no Sahel – conversam com nativo do Mali (Foto: Wikimedia Commons)

O porta-voz do exército de Mali, coronel Souleymane Dembele, confirmou os ataques, mas não entrou em detalhes.

Fontes locais disseram que combatentes jihadistas se posicionaram nas entradas das cidades e atiraram indiscriminadamente contra civis.

Extremistas vs franceses

Os recentes confrontos acontecem em meio ao processo de redução das tropas francesas do oeste do Sahel africano, por ordem do presidente Emmanuel Macron. A Operação Barkhane teve início em 2013, e desde então 55 soldados franceses morreram em combate ou ataques terroristas. Atualmente, 5,1 mil militares do país estão ativos por lá. 

Especialistas e políticos ocidentais enxergam uma geopolítica delicada na região, devido ao aumento constante da influência de grupos jihadistas. Além disso, trata-se de uma posição importante para traficantes de armas e pessoas. A retirada das tropas de Macron tende a aumentar a violência.

No Brasil

Casos mostram que o Brasil é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.

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