Após três anos de seca, fome em Madagascar já é ‘desastre humanitário’

No país insular, na África, mães alimentam seus filhos com tamarindo e manga; ONU já reúne mutirões de ajuda
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Em Amboasary, na ilha africana de Madagascar, os únicos alimentos que sobraram após três anos de seca são poucas frutas e cactos. Para driblar a fome, mães tentam alimentar os filhos com uma mistura de mangas verdes, tamarindos e argila.

“Não temos nada além do que encontramos ao nosso redor, como os cactos”, relatou uma mãe à Associated Press. A situação cada vez mais crítica causada pela seca, que já se prolonga por três anos, também afeta o comportamento das crianças.

Após três anos de seca, fome em Madagascar já é 'desastre humanitário'
Profissional da saúde testa desnutrição em criança de Madagascar, em 2018 (Foto: WFP/Tsiory Andriantsoarana)

Com pernas finas e barrigas acentuadas – sintomas tópicos da desnutrição –, as crianças já deixaram de brincar e passam o dia sob as árvores. Três em cada quatro crianças já deixaram de ir à escola no distrito de Amboasary, epicentro da crise a apenas 700 quilômetros da capital Antananarivo.

Além da seca, a população empobrecida ainda está à mercê do abandono histórico do governo e a pandemia da Covid-19. O Programa Mundial de Alimentos classificou a situação como um “desastre humanitário”.

A falta de chuva impede que qualquer cultura cresça na região e já não há mais produtores de gado. “Todos são roubados”, relataram agricultores. Estima-se 1,5 milhão de pessoas carecem de ajuda alimentar com urgência na ilha.

“Estamos acostumados com a fome, mas desta vez é demais”, disse uma mulher. Quatro de seus 14 filhos morreram de fome entre junho e julho.

Segundo Theodore Mbainaissem, diretor do programa da ONU (Organização das Nações Unidas), a extensão da crise pegou as agências humanitárias de surpresa. “Não há qualquer recurso para enfrentá-la”, afirmou.

Alimentos já foram distribuídos, mas o montante ainda é insuficiente. Segundo Mbainaissem, os recursos disponíveis atendem a apenas meio milhão de pessoas até o final do ano. A organização já mobiliza mutirões para recolhimento de doações.

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