África

Ex-chefe de milícia irá ao Tribunal Penal Internacional por crimes no Sudão

Ali Kushayb é acusado em 50 casos de assassinato, tortura, perseguição e estupro durante guerra em Darfur

O suposto ex-líder da milícia Janjaweed, acusada de cometer crimes de guerra em Darfur, no oeste do Sudão, foi preso nesta terça (9).

O sudanês conhecido como Ali Kushayb foi levado ao Tribunal Penal Internacional, após se entregar de forma voluntária na República Centro-Africana.

A denúncia contra Kushayb inclui 50 casos de assassinato, tortura, perseguição e estupro. O sudanês, cujo nome verdadeiro é Ali Muhammad Ali Abd-Al-Rahman, teria atuado na estratégia de contra-insurgência e no recrutamento de combatentes para as milícias Janjaweed.

O tribunal diz ter fundamentos para acusar as Forças Armadas sudanesas e a Janjaweed de atuar juntas em uma campanha de ataques às cidades de Kodoom, Bindisi, Mujkar e Arawala, todas no oeste do Sudão.

Durante essas ofensivas, entre agosto de 2003 e março de 2004, civis foram assassinados, estuprados, transferidos à força ou presos. Kushayb é acusado de ter participado pessoalmente de alguns desses ataques contra civis.

Autoridades da França, do Chade e da Holanda, além das missões de manutenção da paz da ONU na República Centro-Africana, teriam contribuído para a prisão do ex-chefe de milícia.

Ex-chefe de milícia é preso por crimes de guerra no Sudão
Ex-chefe de milícia Ali Kushayb é preso por crimes de guerra no Sudão (Foto: Daniel Dickinson/UN Photo)

Ex-presidente

Outra figura importante durante a guerra em Darfur, em 2003, é alvo do Tribunal Penal Internacional: o ex-presidente do Sudão Omar al-Bashir, acusado de genocídio.

Al-Bashir foi retirado do poder no ano passado, após governar o país por 30 anos. Hoje, o ex-presidente cumpre dois anos de prisão por corrupção.

Em fevereiro, o novo governo do Sudão afirmou que a transferência de al-Bashir para Haia, onde há uma sede do tribunal, foi acordada com grupos rebeldes em Darfur.

De acordo com a ONU, a guerra no Sudão deixou cerca de 300 mil pessoas mortas e cerca de 2,5 milhões foram deslocadas.

O país de 41,8 milhões de habitantes vive mergulhado em crise, mesmo após seu desmembramento em 2011, que deu origem ao Sudão do Sul. Cerca de 9,3 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária.