Governo da Líbia afirma ter retomado último reduto rebelde no oeste do país

Cidade de Tarhuna era estratégica para ataques à capital Trípoli liderados pelo general rebelde Khalifa Haftar
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O governo da Líbia reconhecido pelas Nações Unidas confirmou nesta sexta (5) mais uma vitória contra o líder militar Khalifa Haftar, que governa o leste a partir da cidade de Bengazi.

Tarhuna seria o último reduto rebelde no oeste do país, controlado pelo governo reconhecido pela comunidade internacional. As informações são da agência de notícias AFP.

A retomada da cidade, estratégica, encerra a semana em que o governo restabeleceu controle total sobre Trípoli. Isso inclui o aeroporto abandonado ao sul da cidade.

A Líbia está mergulhada no caos desde 2011, após a queda do líder Muammar Gaddafi, apoiada pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Governo da Líbia afirma ter retomado último reduto rebelde no oeste do país
Moradores da cidade de Msallata, na Líbia (Foto: Iason Foounten/UN Photo)

Perdas recentes

A recuperação de Tarhuna foi um passo importante para que Haftar desistisse da ofensiva a Trípoli, já que a cidade era importante para concretizar o ataque.

O porta-voz do líder militar confirmou a retirada das tropas rebeldes de Trípoli. Também informou que o ato foi um “gesto humanitário, destinado a poupar o povo líbio de mais derramamento de sangue”, segundo a AFP.

O conflito na capital deixou centenas de mortos e mais de 200 mil pessoas desalojados. Leal a Gaddafi, Haftar prometia “limpar” a cidade do que chamou de “milícias terroristas”.

Com apoio de Egito, Emirados Árabes Unidos e Rússia, Haftar controla todo o leste da Líbia. Ali estão os campos de petróleo e a infraestrutura de exportação do país, além da maioria das cidades no deserto ao sul.

O grupo rebelde sofreu diversas derrotas nos últimos meses. A virada ocorreu após o governo internacionalmente reconhecido ter sido reforçado por apoio militar turco.

Cessar-fogo

Ainda de acordo com o porta-voz de Haftar, a retirada das tropas tinha como objetivo impulsionar o trabalho de uma comissão militar apoiada pela ONU e que busca um cessar-fogo no país.

Se o armistício não for respeitado pelo outro lado, os rebeldes ameaçam suspender a participação nas negociações do comitê. A ONU afirmou que, após três meses, as partes concordaram em retomar as discussões sobre a trégua.

O Conselho de Segurança da ONU tem feito ainda reiterados pedidos para que os países respeitem o embargo de armas e não intervenham no conflito líbio.

Desde 2011, a Líbia está sob um embargo de armas pela ONU. Mesmo assim, há uma enorme entrada de equipamentos e armas no país, enviado aos dois lados.

O grupo militar privado russo Wagner Group tem cerca de 1,2 mil homens na Líbia trabalhando para fortalecer as equipes de Haftar, segundo um relatório emitido pela ONU.

O conselho já declarou que, se os incentivos estrangeiros continuarem, a ONU pode convocar esses países publicamente e impor sanções contra essas nações.

Perspectivas de paz

Mesmo diante dos recentes episódios, o think tank norte-americano CFR (Council on Foreign Relations) considera “fraca” a probabilidade de paz na Líbia. Para a organização, não há um desejo genuíno entre os líbios para o fim do conflito.

“O país permanecerá dividido com agentes externos procurando colocar outras rivalidades, escolher vencedores ou perdedores, ou promover uma divisão permanente”, aponta análise de Amir Asmar, especialista do CFR com passagens pelo Departamento de Defesa e pela inteligência dos EUA.

A pretensão de que o fim da ditadura de Gaddafi estabelecesse um governo popularmente eleito pelos líbios e novas instituições nacionais não vingou. Esperava-se a construção de Estado a partir dos vastos recursos de combustíveis fósseis disponíveis no território.

Um dos motivos, segundo Asmar, foi o ganho de força gradual de elementos locais. Também pesam a perda de legitimidade de governos centrais e das eleições, baixa participação eleitoral e milícias armadas.

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