Novo massacre atribuído à ADF deixa ao menos 20 mortos na RD Congo

Chefe da Cruz Vermelha local diz que voluntários “contaram 36 corpos”, sugerindo que o número de vítimas é bem maior

A escalada da violência na República Democrática do Congo teve mais um sangrento episódio. Na segunda-feira (6), o projeto Kivu Security Tracker (KST), que monitora a segurança no país, informou a morte de ao menos 20 pessoas em um massacre atribuído à ADF (Forças Democráticas Aliadas, da sigla em inglês).

O violento episódio ocorreu na comunidade de Bwanasura, na província de Ituri, leste do país. David Beiza, chefe da Cruz Vermelha na região, sugere que o número de mortos é maior que o divulgado pelo KST. De acordo com o site The Defense Post, voluntários da organização “contaram 36 corpos”.

“Os rebeldes da ADF chegaram por volta das 20h. Eles se moveram com calma. Felizmente, muitos moradores conseguiram fugir”, afirmou Beiza.

Já Dieudonne Malangay, líder da sociedade civil no distrito de Walese Vonkutu, reclamou da lentidão do exército para responder aos pedidos de ajuda. “As balas ainda estão voando”, disse ele.

Soldados do exército da República Democrática do Congo em Goma, capital da província do Kivu do Norte (Foto: MONUSCO/Clara Padovan)

No final do mês passado, a ADF foi responsabilizada por outros dois episódios semelhantes. Um ataque realizado no dia 29 de maio deixou 16 mortos e sete feridos em Bulongo, província de Kivu do Norte. Uma das vítimas era um funcionário da Cruz Vermelha. Um dia antes, 27 civis morreram na aldeia de Beu Manyama, na mesma província, de acordo com o exército congolês.

Por que isso importa?

A ADF é uma organização paramilitar ugandense acusada de estar por trás de milhares de mortes nos últimos anos. O grupo nasceu em 1995, como oposição ao presidente Yoweri Museveni, e tem atuando majoritariamente em áreas remotas. Com o tempo, a facção ultrapassou as fronteiras de Uganda e passou a agir também na RD Congo.

No começo de maio de 2021, o governo congolês decretou lei marcial em Kivu do Norte e na província vizinha de Ituri, de modo a estancar a violência atribuída ao grupo rebelde. Porém, o número de civis mortos só cresceu.

Cerca de três meses depois, em agosto, o atual presidente congolês Felix Tshisekedi declarou que forças especiais dos Estados Unidos seriam enviadas à região a fim de estudar a viabilidade de instalação de uma unidade antiterrorismo para o enfrentamento da violência islâmica.

A ADF foi colocado na lista de sanções financeiras por Washington, classificada como terrorista. A organização declarou publicamente ser um braço do Estado Islâmico (EI), que por sua vez assumiu a responsabilidade por alguns de seus ataques. O grupo é acusado de realizar massacres, sequestros e saques, com um número de mortos estimado em milhares.

Tshisekedi afirmou recentemente, em maio deste ano, que “não tem dúvidas” quanto ao apoio do governo de Ruanda aos rebeldes da ADF. Ainda assim, diz que está disposto a dialogar e manter relações cordiais com a nação vizinha.

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