África

Operação da Missão da África Austral em Moçambique mata 17 terroristas

Conflito ocorreu em Cabo Delgado, região que é reduto de rebeldes islâmicos e palco de conflitos entre terroristas e tropas do país e de Ruanda

A Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique (SAMIM, da sigla em inglês) desmantelou uma base do grupo Al Sunnah wa Jama’ah (ou ASWJ, uma das designações do movimento insurgente) durante o fim de semana, informou o portal Defence Web. Dezessete extremistas foram mortos.

Segundo comunicado da SAMIM, a base ficava localizada ao sul de Chitama, em Cabo Delgado, região que é reduto de rebeldes islâmicos e palco de conflitos entre terroristas e tropas do país e de Ruanda. “Durante a operação, a base foi reduzida a escombros pelas forças”, detalhou a nota.

A ação deixou três soldados feridos e um morto. Entre os sobreviventes, dois são integrantes da Força de Defesa do Povo da Tanzânia, e o outro, da Força de Defesa do Lesoto.

Forças moçambicanas durante treinamento (Foto: Wikimedia Commons)

Com o apoio das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, a SAMIM iniciou o conflito com os rebeldes ao sul do rio Mesalo, onde estão localizadas bases suspeitas. Na ação, três rifles foram apreendidos e um professor suspeito de ser militante do ASWJ foi capturado. Ele irá passar por um interrogatório.

A insurgência no norte do Moçambique é combatida pelo SAMIM em conjunto com Forças militares da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), Angola, Botswana, Lesotho, África do Sul, Tanzânia e Ruanda.

O mandato do contingente sul-africano de 1.495 homens no SAMIM termina em meados de outubro. Não houve, até agora, movimento de pessoal militar sul-africano adicional e equipamento para Moçambique.

Por que isso importa?

Os conflitos na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, deixaram mais de 750 mil pessoas na dependência de ajuda humanitária. A região está sob controle do EI, e as forças nacionais de segurança aguardam apoio militar estrangeiro para tentar derrotar definitivamente a milícia jihadista.

A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que cerca de US$ 121 milhões sejam necessários para apoiar 750 mil pessoas na região de Cabo Delgado, até o final deste ano. O PMA (Programa Mundial de Alimentos) alega que, sem o dinheiro, “uma das crises de deslocamento de crescimento mais rápido no norte de Moçambique corre o risco de se tornar uma emergência de fome”.

“O conflito destruiu os empregos, as vidas e as esperanças dos moçambicanos para o futuro. Os insurgentes destruíram famílias, queimando suas casas, traumatizando crianças e matando pessoas”, afirma o chefe do PMA, David Beasley.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.