Américas

China mira liderança na distribuição de vacinas da Covid-19 na América Latina

Para EUA, Beijing foca em estratégia de ‘diplomacia de vacinas’ para avançar na América Latina em disputa

A China já se prepara para inaugurar a distribuição das vacinas à Covid-19 em toda América Latina. Os EUA, por sua vez, classificam o interesse no continente como estratégia para uma “diplomacia de vacinas”, disse o jornal “The New York Times”.

Segundo Craig Faller, principal comandante militar dos EUA para a América Central e do Sul, a China está fazendo acordos para implantar e empregar a imunização o quanto antes. Já Washington está “procurando cuidar dos EUA primeiro”, disse.

Apesar de nenhum dos países latino-americanos já ter aprovado uma vacina, desenvolvedores chineses, como o Sinovac Biotech já colaboram com o Brasil nos testes de estágio final para verificar a eficácia das doses.

China quer inaugurar distribuição de vacinas da Covid-19 na América Latina
Profissional da saúde coleta amostra para teste à Covid-19 na cidade de Tianjin, ao norte da China, em novembro de 2020 (Foto: Xinhua)

Enquanto isso, o Méxicoassinou um acordo de compra antecipada de mais de 35 milhões de doses únicas com a CanSino Biologics. O México faz parte do apoio nos ensaios clínicos.

Em tensão comercial e tecnológica com Beijing, Washington vê o movimento como uma “disputa por influência” na América Latina, considerada o “quintal” dos norte-americanos.

“Estamos em uma pandemia e toda ajuda é bem vinda. Se a vacina funcionar, as pessoas precisam aceitá-la como nação”, afirmou Faller. Ainda assim, a implantação das doses como “porta diplomática” pode prejudicar os EUA no Canal do Panamá.

“É um ponto de estrangulamento significativo no caso de um grande conflito global“, apontou. O mesmo pode ocorrer se a China alcançar negócios e aproximar laços com o México e as Bahamas.

Diplomacia em expansão

Além das vacinas, os EUA já chamaram atenção para a expansão da diplomacia chinesa na América Latina com empréstimos e subsídios a projetos de infraestrutura.

Outros exemplos são as recentes remessas de suprimentos médicos em meio a pandemia e a estação de controle de missões espaciais na Patagônia.

Apesar de ter sido o primeiro país a registrar a agressividade do novo coronavírus, a China mostrou uma recuperação em tempo recorde e já trabalha para reduzir as medidas de contenção econômica geradas pela crise.