Américas

Chinês é condenado nos EUA por lavagem de dinheiro vindo do tráfico de tartarugas

Acusado financiava uma quadrilha que contrabandeou para Hong Kong cerca de 1.500 tartarugas protegidas, avaliadas em mais de US$ 2,25 milhões

Um cidadão chinês foi condenado nesta quarta-feira (6) nos Estados Unidos a três anos e dois meses de prisão, além de um ano de liberdade condicional, por lavagem de dinheiro. Os fundos eram originários de tráfico internacional de animais silvestres protegidos, segundo o Departamento de Justiça dos EUA.

Kang Juntao, 25 anos, natural de Hangzhou, na China, já havia se declarado culpado no Tribunal Distrital dos EUA em Camden, Estado de Nova Jérsei, por financiar uma quadrilha que contrabandeou para Hong Kong pelo menos 1,5 mil tartarugas protegidas, avaliadas em mais de US$ 2,25 milhões. O tribunal também ordenou que Kang pagasse uma multa de US$ 10 mil, cifra que corresponde ao total de ativos que ele mantinha nos Estados Unidos.

Entre junho de 2017 e dezembro de 2018, Kang recrutou caçadores, contrabandistas e intermediários para coletar e exportar as tartarugas ilegalmente. O acusado enviava dinheiro por meio de bancos americanos, incluindo um em Nova Jérsei, para pagar pelos animais e seus carregamentos. Ele providenciou para que os répteis fossem vendidos ilegalmente no mercado chinês de animais de estimação por um valor na casa de milhares de dólares cada.

Tartaruga-de-caixa oriental de Maryland, uma das espécies contrabandeadas (Foto: Matt Reinbold/Flickr)

Kang nunca havia entrado nos EUA, mas a legislação de lavagem de dinheiro do país fornece jurisdição quando um estrangeiro passa mais de US$ 10 mil por meio do sistema financeiro norte-americano com o objetivo de promover atividades ilegais especificadas, como o contrabando de animais selvagens.

O chinês foi detido, a pedido de Washington, pela Polícia Real da Malásia, que o prendeu quando viajou para a capital Kuala Lumpur, em janeiro de 2019. Kang foi extraditado para os Estados Unidos para ser julgado em dezembro de 2020, de acordo com o tratado de extradição entre os governos dos EUA e da Malásia.

Modus operandi

O método de Kang consistia em enviar dinheiro via PayPal, cartões de crédito ou transferência bancária para os Estados Unidos para comprar tartarugas de vendedores que anunciam os animais nas redes sociais ou em sites de comércio de répteis. Os fornecedores, então, enviavam as tartarugas para intermediários em cinco Estados diferentes. Os intermediários eram todos cidadãos chineses, que entraram no país com visto de estudante.

Kang pagava e instruía esses intermediários a reembalar as tartarugas em caixas com etiquetas falsas para remessa clandestina a Hong Kong. De acordo com a investigação, os animais eram amarrados “de forma desumana” com fita adesiva e colocados em meias para não alertar as autoridades alfandegárias. Nem Kang nem seus associados declaravam as tartarugas às alfândegas dos Estados Unidos e da China.

Espécies ameaçadas

EUA, Malásia, China e aproximadamente outros 180 países são signatários da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES). O acordo é um tratado global que restringe o comércio de espécies ameaçadas de extinção.

Kang traficou cinco espécies protegidas pelo tratado. Os animais valem, em média, entre US$ 650 e US$ 2.500 cada no mercado asiático. Tartarugas fêmeas raras eram vendidas no esquema chinês por até US$ 20 mil.