Com navios-fantasma, Venezuela dribla sanções para reerguer setor petroleiro

Uma das embarcações não identificadas remete a um navio sucata em Bangladesh; Irã colabora com Caracas
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A identificação incorreta de navios petroleiros se tornou um subterfúgio para a Venezuela driblar as sanções dos EUA e reerguer as exportações de petróleo, apontou a Reuters.

Documentos e bases de dados marítimos apontam que o país exporta a matéria-prima através de uma frota de mais de 30 petroleiros, contratados por uma empresa desconhecida, desde o início de 2020.

Um exemplo é o navio-tanque Otoman, que atracou no terminal de petróleo Jose, no Caribe, em 21 de agosto.

Ainda que documentos internos da estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela) mostrem que a embarcação carregou 1,82 milhão de barris de petróleo pesado, não há qualquer registro sobre o navio-tanque nos bancos de navegação global.

O número de identificação da embarcação remonta apenas a um navio chamado Rubyni – encontrado como sucata na costa de Bangladesh desde 2018. O “erro” indica como a Venezuela tem combatido a séries de sanções dos EUA, impostas desde 2014.

Com navios fantasmas, Venezuela tenta driblar sanções e reerguer setor petroleiro
Terminal de Jose, Venezuela, em junho de 2006 (Foto: Ship Spotting/Captain Peter)

Pelo menos 21 dos clientes identificados nos documentos internos da PDVSA não possuem qualquer histórico no comércio de petróleo. A maioria parece estar na Rússia, mas poucos possuem registro de endereço.

O grupo de navios fantasmas na Venezuela já recebeu mais de 25 milhões de barris de petróleo entre abril e outubro, e agora é o maior comprador de combustível venezuelano. De acordo com a média de preços do mercado, a venda é estimada em US$ 544 milhões.

“Em breve novos embarques”, diz Irã

Registros apontam que a PDVSA e algumas agências de navegação ignoram os protocolos de verificação das identidades de petroleiros para favorecer as exportações da matéria-prima entre a Venezuela e o Irã.

Um funcionário do Ministério do Petróleo iraniano confirmou o comércio entre os dois países. “As sanções não podem nos impedir de fazer negócios uns com os outros. Em breve novos embarques”, disse, referindo-se ao suprimento de gasolina, alimentos e equipamentos de refinaria.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que Washington está ciente da aproximação de Caracas e Teerã. “Esses regimes estão levando uns aos outros por uma rua sem saída que não beneficiará seus cidadãos”, disse.

Em agosto, os EUA apertaram ainda mais as sanções ao comércio de petróleo da Venezuela. Até 2018, o país liderado por Nicolás Maduro exportou cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia, sobretudo para os EUA.

O Departamento do Tesouro dos EUA, responsável pela política de sanções, não respondeu a um pedido de comentário, assim como a PDVSA e o Ministério de Petróleo venezuelano.

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