EUA ainda buscam explicações sobre quem está por trás da Síndrome de Havana

Anomalia, que agora atingiu diplomatas em Genebra e Paris, altera funções cerebrais, causando dor de cabeça e lesões debilitantes
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, disse na quinta-feira (13) que Washington ainda busca explicações sobre a anomalia classificada como Síndrome de Havana, que há cerca de cinco anos vem acometendo autoridades do país ao redor do mundo. A causa da doença e quem está por trás dela ainda são questões obscuras. As informações são da agência catari Al Jazeera.

A fala de Blinken surge no momento em que novos casos foram reportados, dessa vez em Paris e Genebra. Ambas as vítimas são funcionários atuantes em missões diplomáticas e foram tocados pela misteriosa patologia no ano passado. Eles agora são parte de uma lista composta por cerca de 200 outros funcionários do governo que experimentaram o que o governo Biden define oficialmente como “incidentes anômalos de saúde”.

“Até o momento, não sabemos exatamente o que aconteceu e não sabemos exatamente quem é o responsável”, disse Blinken.

Secretário de Estado Antony Blinken desconfia que a Rússia esteja por trás dos ataques (Foto: Wikimedia Commons)

A Síndrome de Havana consiste em uma alteração das funções cerebrais que gera dor de cabeça, enjoo, tontura e prejuízos à audição. Os primeiros casos foram identificados em 2016, em Cuba, daí o nome da enfermidade. As vítimas relatam que os sintomas surgiram após ouvirem estranhos sons agudos e graves.

Em 2020, a Academia Nacional de Ciências, por meio de um estudo encomendado pelo Departamento de Estado, apontou a radiação de microondas “dirigida” como a provável a causa da doença.

Blinken disse que os EUA levantaram suspeitas sobre a Rússia, mas que não pode determinar quem é de fato o responsável pelos ataques. Embora a inteligência norte-americana não possa apontar formalmente quem estaria por trás dos incidentes, fontes ativas do governo e ex-funcionários declararam em 2021 que os indícios de responsabilidade da Moscou “estão aumentando”, embora ainda considerem precipitado afirmar a autoria com convicção.

Segundo o Wall Street Journal, pelo menos três funcionários a serviço do consulado dos EUA na Suíça desenvolveram a síndrome. Um deles inclusive precisou ser mandado de volta para o país natal para ser submetido a tratamento.

Já na França, funcionários da embaixada relataram pelo menos um caso suspeito. Outros casos suspeitos anteriores foram registrados na China, Vietnã, Colômbia, Áustria, Sérvia e na Alemanha, onde as autoridades revelaram que desde agosto de 2021 está em andamento um processo que analisa o “suposto ataque com arma sônica”.

Por que isso importa?

Embora a Síndrome de Havana ainda esteja cercada de incertezas e os cientistas não tenham uma posição conclusiva sobre a condição, um relatório das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA aponta que algumas das lesões cerebrais observadas eram consistentes com os efeitos da energia de microondas direcionada.

William Burns, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência, da sigla em inglês), afirmou em julho que existe “possibilidade muito forte” de que os sintomas tenham sido causados deliberadamente, citando a Rússia como responsável.

Um relatório das agências de segurança norte-americanas aponta que oficiais de inteligência e diplomatas acometidos pelo distúrbio trabalham com temas ligados à Rússia, entre eles segurança cibernética, exportação de gás e questões de interferência política.

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