Na Colômbia, prisão do irmão de vice vem a público 20 anos depois

Bernardo, irmão da vice-presidente Marta Ramírez, foi condenado a quatro anos por tráfico de drogas nos EUA
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A vice-presidente da Colômbia, Marta Lucía Ramírez, foi cobrada a esclarecer a prisão do irmão Bernardo Ramírez, solto há 18 anos, por tráfico de drogas nos Estados Unidos. A informação é do jornal El Tiempo.

Ramírez emitiu uma declaração sobre o assunto, afirmando que a condenação se tratava de uma “tragédia” vivida pela família há 23 anos. Na época, seu irmão pegou uma pena de mais de quatro anos.

“Desde então, ele tem se dedicado ao trabalho, é um homem de bem e, junto com sua família, leva uma vida decente e honesta”, afirmou a vice-presidente por meio do comunicado.

Vice-presidente da Colômbia se envolve em polêmica por prisão do irmão
Vice-presidente da Colômbia, Marta Lucía Ramírez (Foto: Twitter/Reprodução)

Reações

A opinião pública local se dividiu entre quem via a necessidade de saber do fato antes que Ramírez assumisse o cargo e quem entendia o episódio como de natureza privada, de sua própria família. A detenção de Bernardo foi revelada pela imprensa colombiana.

Alguns nomes influentes da política colombiana defenderam Ramírez, como os ex-presidentes Álvaro Uribe e Andrés Pastrana. A atual vice foi ministra de ambas as gestões.

Os dois presidentes revelaram que já sabiam da prisão do irmão da vice-presidente antes de a informação vir a público.

“Não aceitei o problema de seu irmão como um impedimento para torná-la ministra. Hoje, com uma carreira brilhante e limpa, ainda a apoio”, afirmou Pastrana.

O atual presidente colombiano, Iván Duque, e o ex-presidente da Colômbia e diretor do Partido Liberal, César Gaviria, também defenderam Ramírez.

Segundo a revista colombiana Semana, o porta-voz do Senado Juan Diego Gómez declarou que não se pode pedir a renúncia de Ramírez por um assunto de família.

Críticos

Entre os que condenam a atitude de Ramírez de manter o assunto privado, estão congressistas de partidos que se opõem ao governo de Iván Duque.

O senador Iván Cepada, inimigo político de Uribe, questionou que outras questões Ramírez poderia estar se omitindo e defendeu sua demissão do cargo.

O ex-candidato à Presidência e senador da esquerda Gustavo Petro também pede que Ramírez deixe o cargo.

Na avaliação do senador Antonio Sanguino, o governo dispensa tratamento distinto aos crimes quando estes são cometidos por seus partidários, como a família de Ramírez, e o restante da população.

“Para os camponeses pobres, tratados como cultivadores de folha de coca, [há] balas e fumigação. Para minha família, compreensão porque um dos meus já traficou. O duplo padrão exibido pelo uribismo no poder”, declarou.

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