Américas

No Brasil, 65% dos indígenas venezuelanos são solicitantes de refúgio

A maioria deles se encontra na região Norte do país; com pandemia, muitos foram realocados para abrigos

Cerca de cinco mil refugiados e indígenas venezuelanos foram registrados em território brasileiro. Desse total, 3,2 mil indígenas solicitam a condição de refugiados. Os dados são do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados),

Legalmente, o refúgio enquadra essas pessoas como indivíduos que deixaram seu país à força, por medo de perseguição ou por contínua violação dos direitos humanos.

“São populações que enfrentam diversos desafios em seus territórios, que, ao longo da história, sofreram com intervenções externas. Desse contexto vem  busca por refúgio em território brasileiro”, explica o associado de proteção  e soluções indígenas do Acnur no Brasil, Sebastian Roa.

Os dados fazem parte da primeira edição do Relatório de Atividades para Populações Indígenas, publicado pelo Acnur nesta quinta (4).

Os indígenas deslocados estão divididos em quatro etnias: Warao, representando 66% do total; Pemon (30%); Eñepa (3%) e Kariña (1%). A maior parte deles está na região Norte do Brasil, mas há pessoas em 16 estados brasileiros.

Segundo o Acnur, 1,3 mil indígenas venezuelanos da etnia Warao estão em Roraima. No Pará, são mais de 970 e no Amazonas, 600. O restante está em outras regiões do Brasil, em grande quantidade no Nordeste.

No Brasil, 65% dos indígenas venezuelanos são solicitantes de refúgio
Trabalho de realocação de indígenas venezuelanos da etnia Warao em Manaus (Foto: Nathalie Brasil/ Semcom)

Abrigos

A pandemia do novo coronavírus trouxe mais um desafio para a vida desses indígenas. Muitos vivem nas ruas ou com infraestrutura precária, o que dificulta as medidas de prevenção contra o Covid-19. O Acnur busca maneiras de protegê-los, como pela transferência para abrigos.

Em Boa Vista, o abrigo Pintolândia conta com 538 indígenas abrigados. Também na capital roraimense, 413 indígenas moram em uma ocupação espontânea, onde recebem apoio da agência da ONU.

Em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, 306 pessoas da etnia Warao compartilham um abrigo. Antes da pandemia, o local abrigava mais de 500 indígenas. Para respeitar as medidas de prevenção, cerca de 180 foram transferidos para outro abrigo.

Já em Manaus, no Amazonas, 534 pessoas foram transferidas para cinco espaços emergenciais e temporários. Belém, no Pará, é uma das cidades com o maior número de indígenas venezuelanos no Brasil e agora conta com um novo abrigo para essa população.