A recente onda de vitórias de candidatos da direita na América Latina não garante estabilidade política nem capacidade de governar com facilidade. Essa é a principal conclusão de uma análise sobre o cenário eleitoral em países como Colômbia, Chile e Peru, marcada por disputas apertadas, forte polarização e enfraquecimento do centro político. As informações são da Foreign Policy.
Na Colômbia, o segundo turno presidencial terminou com margem mínima entre o candidato de direita Abelardo de la Espriella e o candidato de esquerda Iván Cepeda. A vitória apertada, somada à baixa aprovação de ambos os lados antes mesmo da posse, já indica um ambiente de governabilidade frágil.
O padrão se repete em outros países da região. No Chile, a vitória da direita também ocorreu em um contexto de polarização extrema, com queda rápida de popularidade do governo eleito e fragmentação partidária no Congresso. No Peru, a disputa segue acirrada e envolta em desconfiança sobre os resultados, com força política concentrada em polos ideológicos opostos.

Em todos esses casos, o centro político perdeu espaço. Candidatos moderados tiveram desempenho fraco ou foram descartados ainda no primeiro turno, deixando o cenário dividido entre projetos de extrema-esquerda e direita mais radicalizada.
Esse deslocamento tem impacto direto na governabilidade. Sem maiorias claras, presidentes eleitos enfrentam legislativos fragmentados, dificuldades para aprovar reformas e alta instabilidade na relação com o eleitorado. O resultado é um ciclo de decisões políticas oscilantes e baixa previsibilidade institucional.
Na Colômbia, por exemplo, o partido do presidente eleito conquistou uma representação limitada no Congresso, o que deve dificultar a aprovação de reformas estruturais. Situação semelhante já ocorreu no governo anterior, que enfrentou resistência do Legislativo em pautas como saúde e direitos trabalhistas.
A volatilidade da opinião pública também agrava o cenário. Mais do que uma mudança ideológica consistente, o movimento eleitoral na região reflete rejeição aos governos anteriores, o que acelera ciclos de alternância política e aumenta a instabilidade.
Especialistas apontam que essa dinâmica reduz o espaço para consensos e dificulta a formulação de políticas de longo prazo. Além disso, amplia o risco de radicalização do discurso político e de aumento da tensão social em momentos de crise econômica e insegurança pública.
Na ausência de um centro político forte, governos de direita recém-eleitos podem enfrentar o mesmo destino de seus antecessores: aprovação em queda rápida, paralisia legislativa e dificuldade de sustentar coalizões.
A tendência, segundo analistas, é de continuidade da polarização na região, com eleições cada vez mais disputadas entre polos ideológicos opostos e menor espaço para candidaturas moderadas. Isso pode consolidar um cenário de instabilidade crônica, independentemente do espectro político no poder.