Renda per capita da América Latina deve voltar a níveis de 2010, diz Cepal

Organização da ONU já esperava ano de baixo crescimento; pandemia agravou quadro e trará consigo forte recessão
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O nível do PIB (Produto Interno Bruto) per capita na América Latina poderá voltar a valores de 2010, impondo um retrocesso de dez anos na renda das famílias na região.

A constatação é de um relatório da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), divulgado no último dia 15. De acordo com o documento, a pandemia do novo coronavírus causará retração de de 9,1% no PIB latino-americano em 2020.

Já no final de 2019, a Cepal estimava crescimento modesto nos países da região neste ano. A expectativa era de crescimento na casa de 1,3%.

Renda per capita da América Latina deve voltar a níveis de 2010, diz Cepal
Venda de frutas em cidade à beira do rio Tapajós, perto de Santarém (PA) (Foto: UN Photo/Eskinder Debebe)

Falta de emprego

A crise levará ao crescimento do desemprego, que deve bater 13,5% no fim de 2020, ou 44,1 milhões de pessoas. O número é 5,4 pontos percentuais maior que em 2019, de 8,1%.

O retrocesso será superior ao da crise financeira de 2008, quando as taxas foram de 6,7% em 2008 para 7,3% em 2009 (0,6 ponto percentual).

De acordo com Alicia Bárcena, secretária-executiva do organismo regional das Nações Unidas, a situação “provocará uma deterioração importante nos níveis de pobreza e desigualdade”.

Linha da pobreza

O resultado do binômio crise e desemprego é o aumento da pobreza. De acordo com o órgão, 45,4 milhões entrarão na linha pobreza neste ano.

O número deve subir de 185,5 milhões, no fechamento de 2019, para 230,9 milhões de pessoas até dezembro. O número representa 37,3% da população latino-americana e caribenha.

“Embora os países da região tenham anunciado medidas muito importantes, à medida que o confinamento se estende são necessários esforços adicionais”, disse Bárcena.

Discrepâncias na distribuição de renda também devem se intensificar. Nos 17 países analisados na América Latina, o índice de Gini irá aumentar entre 1% e 8%. As nações mais ricas serão as mais afetadas pela escalada na desigualdade.

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