Crise pode legar à América Latina caos social e mais 73 milhões na pobreza

Considerada pior recessão dos últimos 100 anos, crise expõe limitações estruturais do desenvolvimento latino
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email

A pior recessão em 100 anos na América Latina, causada pelo novo coronavírus, pode empurrar um total de 73 milhões de pessoas para a pobreza. Destas, 28 milhões podem cair na miséria. O cálculo foi apresentado em relatório divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas) nesta quinta (8).

A entidade teme um aumento das convulsões sociais na região em decorrência desse salto no número de pessoas pobres. Em 2019, nações como o Chile, Colômbia, Peru, República Dominicana, Equador e Bolívia foram sacudidas por protestos – que podem voltar com força com a nova crise econômica.

Crise pode legar à América Latina caos social e mais 73 milhões na pobreza
Protestos no Chile, em 2019, contra o governo de Sebastián Piñera (Foto: Wikimedia Commons)

Antes da pandemia, observa o relatório, o modelo de desenvolvimento latino-americano e caribenho já enfrentava “limitações estruturais”. Entre elas estão baixo crescimento, altíssima desigualdade social e pauta exportadora limitada a produtos de baixo valor agregado, o que historicamente legou à região crises cambiais e de dívida.

Também há alta informalidade no mercado de trabalho, desastres naturais – também causados por mudanças climáticas – e devastação institucionalizada dos biomas da região. A alta taxa de homicídios da América Latina, que afeta o Brasil e outros países como Honduras e Venezuela, também é fator que emperra o desenvolvimento.

Respostas duradouras

Para a ONU, “os custos da desigualdade na região tornaram-se insustentáveis”. O primeiro passo, diz o relatório, é aumentar a transparência dos governos para consolidar a democracia. Isso significa aprimorar mecanismos de prestação de contas e de inclusão.

A entidade também recomenda um compromisso “sério” contra a corrupção e o crime organizado. A criação de empregos e de sistemas de proteção social, de sustentabilidade ambiental, de incentivo às micro e pequenas empresas e de tributação que retire parte da carga sobre os mais pobres são fundamentais.

Esses avanços não ocorrerão em um cenário de protestos e crise econômica grave. Por isso, diz o relatório, será preciso acordos nacionais a respeito de “políticas públicas, transparência, estado de direito e democracia”.

Tags: